O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB), afirmou que o Parlamento estadual irá fiscalizar rigorosamente a lista de itens autorizados para venda nos presídios do Estado, garantindo que apenas produtos essenciais sejam comercializados. A declaração foi dada em resposta à moção de repúdio aprovada por 13 vereadores de Cuiabá contra os deputados que votaram a favor da manutenção dos chamados “mercadinhos” nas unidades prisionais.
Para Russi, a manifestação da Câmara de Vereadores tem motivação eleitoral e visa dar visibilidade a futuras candidaturas.
— É claramente um movimento político. Muitos desses vereadores são pré-candidatos à Assembleia em 2026. O próprio autor da moção, Dilemário Alencar, já tentou ser deputado e usa esse tipo de pauta como vitrine — afirmou o parlamentar.
“A Câmara precisa cuidar da cidade, não da Assembleia”, diz Russi
O presidente da ALMT criticou a atuação da Câmara de Cuiabá, classificando a moção como uma tentativa de interferência nas prerrogativas do Legislativo estadual.
— Já pensou se a Assembleia começasse a discutir os absurdos da Câmara? Cada Casa tem suas atribuições. A Câmara deveria se preocupar com os buracos nas ruas, com a limpeza da cidade e com o Hospital Infantil, que até hoje não saiu do papel — destacou.
Russi reforçou que a proposta aprovada não se refere à liberação ampla de produtos, mas à venda controlada de itens de higiene básica, como sabonete, creme dental e absorventes.
— Tem gente que acha que uma mulher presa deve ficar sem absorvente. Isso é desumano. Ninguém está falando de refrigerante ou chocolate, e sim de produtos que garantem o mínimo de dignidade — argumentou.
Contra o moralismo e pela dignidade
O deputado também criticou o discurso moralista em torno da população carcerária e afirmou que não se pode tratar todos os presos como se fossem criminosos perigosos.
— Tem quem defenda golpe, tem criminoso cruel, mas também tem gente ali que foi presa injustamente. Não dá pra generalizar e negar dignidade ao mínimo necessário — disse.
Segundo Russi, uma comissão da ALMT foi criada para acompanhar de perto a implementação da medida e garantir que o controle seja rigoroso.
— Não vamos permitir abusos. O governo precisa fornecer o básico, e o que for autorizado para venda deve se restringir a isso. O objetivo não é facilitar ações de facções, mas assegurar condições mínimas de saúde e dignidade — finalizou.