Da assessoria
Ele viajava sempre com a mesma mala.
Não era por apego. Era por pressa. Nunca parava para tirar o que já estava lá antes de começar uma nova viagem.
A cada lugar que ia, jogava algo novo dentro. Uma roupa, um papel, uma lembrança, um problema que ele dizia: “depois eu resolvo”. O problema é que quase nunca resolvia.
Com o tempo, a mala ficou pesada de um jeito estranho. Ele sentia, mas se acostumou. Parou de carregar pela alça e começou a arrastar. O braço doía, as costas cansavam, mas ele seguia. Afinal, “a vida é assim mesmo”, pensava.
A mala já fazia parte da rotina. Ele reclamava do peso, mas continuava arrastando, como quem diz que quer paz, mas não larga a confusão.
Um dia, no fim de mais uma jornada, tentou fechar a mala correndo. Forçou o zíper. Empurrou com o joelho. Nada. Foi aí que ele parou.
Abriu a mala com calma, no chão.
E percebeu que aquilo não era mais bagagem de viagem.
Tinha coisa antiga ali dentro. Mágoas de gente que passou do limite. Culpa por erros que ele já tinha pago, mas continuava carregando. E o peso de conversas que ele sempre adiou.
O fim do ano é muito parecido com essa mala.
A gente vira o calendário achando que isso resolve tudo. Mas entra no ano novo carregando os mesmos pesos. Muda o número. A mala continua a mesma.
E aqui vai uma verdade simples, mas difícil de aceitar: nem tudo precisa ser perdoado para ser encerrado.
Perdoar e soltar não são a mesma coisa. Às vezes, soltar é simplesmente o que permite que o caminho siga em frente. Não porque foi fácil, nem porque deixou de doer, mas porque continuar carregando certas coisas impede qualquer passo novo.
Encerrar não é esquecer. Não é justificar o erro do outro. É apenas decidir que aquilo não vai mais viajar com você. O tempo não faz isso sozinho. Quem faz é você.
Quando você escolhe encerrar, sobra espaço. Espaço para respirar melhor, decidir com menos cansaço e entrar no próximo ano mais leve. Não perfeito, mas honesto.
Talvez o próximo ano não precise de grandes promessas. Talvez só precise de menos bagagem. Menos silêncio onde já passou da hora de falar. Menos insistência onde a resposta já foi dada. Menos peso do que não faz mais sentido carregar.
Às vezes o peso aparece nas pequenas coisas. É aquela conversa que você jura que já superou, mas que reaparece inteira na sua cabeça toda vez que você toma banho. É o ex que te fez tanta raiva, mas que você insiste em “dar uma olhadinha” no Instagram, só para ver se a vida dele anda.
O problema não é só o que a gente carrega. É quando carregar vira normal e soltar nem passa mais pela cabeça.
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