Enterrado sob a terra, espancado e condenado ao silêncio, um pitbull lutava para respirar em um terreno baldio de Cuiabá. O que deveria ser o fim veio em forma de gemidos abafados, quase imperceptíveis, que romperam o chão e denunciaram a crueldade. Ali, no bairro Alice Novaque, a vida insistiu em continuar — e foi essa insistência que salvou Vivente.
O resgate só foi possível graças à atenção de um morador da região. O mecânico Edson Martins de Souza ouviu gemidos vindos do meio do mato e decidiu investigar. Ao se aproximar, percebeu algo ainda mais inquietante: a terra se movia, como se alguém tentasse respirar debaixo do chão.
Ao cavar o local, Edson encontrou o cachorro preso sob uma base de concreto, posicionada na região do pescoço, o que impedia qualquer tentativa de fuga. Blocos de concreto haviam sido colocados sobre o corpo do animal, numa ação que, segundo o próprio resgatista, não deixava chances de sobrevivência.
“Quando levantei a cabeça dele e vi que era um animal, deu um desespero. A covardia foi justamente colocar os blocos e jogar terra por cima, para não ter como ele sair”, relatou ao portal Primeira Página.
Logo após ser retirado do buraco, o pitbull foi levado para uma clínica veterinária em Cuiabá. O estado de saúde era grave. Extremamente debilitado, o animal apresentava diversas lesões pelo corpo, compatíveis com agressões sofridas antes de ser enterrado vivo.
A equipe veterinária destacou que o caso chocou até profissionais acostumados a lidar com maus-tratos. Diante da gravidade, um boletim de ocorrência foi registrado e a situação passou a ser acompanhada pela Secretaria do Bem-Estar Animal.
Investigações em andamento
Durante as investigações, uma mulher de 39 anos, moradora da casa ao lado do terreno onde o cachorro foi encontrado, foi presa suspeita de envolvimento. À polícia, ela afirmou que o marido, junto com outra pessoa ainda não identificada, teria dito que iria “dar fim” ao animal. Os dois seguem sendo procurados.
A mulher foi conduzida à delegacia e as medidas cabíveis foram adotadas pela Polícia Civil.
Adotado por seu salvador
Em meio à violência e à indignação, a história ganhou um desfecho de esperança. O próprio Edson, responsável pelo resgate, decidiu adotar o cachorro. O animal agora tem um nome: Vivente.
“Ele vai ser bem cuidado, vai ser visto. Porque é um vivente”, disse o mecânico.
O pitbull segue em recuperação, mas, apesar da dor e do sofrimento, agora tem a chance de recomeçar — longe do abandono e da crueldade que quase lhe custaram a vida.