Uma reviravolta inesperada marcou os bastidores do futebol feminino brasileiro na tarde desta quarta-feira (07). Por volta das 12h, o investidor e presidente da SAF do Mixto, Dorileo Leal, recebeu uma ligação que mudou completamente o cenário traçado. Do outro lado da linha, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, confirmou o Mixto como representante de Mato Grosso na Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026.
A confirmação surpreende porque, horas antes, o ambiente era de frustração no clube mato-grossense. Isso porque o Fortaleza havia voltado atrás e anunciado oficialmente sua permanência na elite da modalidade, após inicialmente sinalizar a saída do futebol feminino. A decisão do clube cearense, viabilizada por meio de uma parceria com o projeto R4, liderado por Ronaldo Angelim, parecia encerrar as chances do Mixto ocupar uma vaga inédita na principal divisão nacional.
O recuo do Fortaleza ocorreu após forte repercussão negativa no cenário do futebol feminino brasileiro. Entidades da modalidade, atletas, membros de comissões técnicas e profissionais do setor se manifestaram contra a decisão inicial de encerrar os investimentos, levando o clube a reavaliar sua posição e confirmar a continuidade na Série A1.
Antes dessa confirmação, No sábado (03) Leal havia utilizado um grupo oficial do Mixto para anunciar, de forma antecipada, que o clube alvinegro estaria na Série A1. Na ocasião, o dirigente afirmou que, diante das desistências de Fortaleza e Real Brasília, Mixto e Vitória seriam chamados pela CBF para ocupar as vagas abertas. O anúncio gerou grande expectativa entre torcedores e no meio esportivo local.
No comunicado, Dorileo classificou o momento como histórico para o futebol feminino do Mixto e para o estado de Mato Grosso. Ele chegou a projetar confrontos contra potências da modalidade, como Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro e Botafogo. O dirigente também revelou que o planejamento estava avançado, com cerca de 20 atletas já contratadas e apresentação do elenco marcada para o dia 12 de janeiro.
Com a confirmação da permanência do Fortaleza, o entendimento inicial era de que o Mixto ficaria fora da elite, já que, pelos critérios esportivos, apenas desistências oficiais abririam espaço para novos clubes. Nesse cenário, o Vitória deverá assumir a vaga deixada pelo Real Brasília, que abriu mão da competição por falta de patrocínio.
No entanto, uma nova mudança de rumo ocorreu ao meio-dia desta. De acordo com a apuração do site Esportes e Notícias, a articulação que garantiu o Mixto na Série A1 contou com o apoio de Francisco Mendes, vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF). O dirigente é filho do ministro Gilmar Mendes e teve atuação direta nas conversas institucionais que resultaram na confirmação do clube mato-grossense na elite do futebol feminino nacional.
Até o momento, a CBF ainda não divulgou oficialmente a relação final dos clubes participantes da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino. Apesar disso, no Mixto, o clima é de confirmação e expectativa, com a possibilidade de Mato Grosso figurar, de forma inédita, no mais alto nível do futebol feminino brasileiro.