A entrevista concedida pelo deputado estadual Wilson Santos ao site O Mato Grosso ocorreu dias após o parlamentar fazer críticas públicas ao presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira, episódio que aprofundou a crise institucional entre os poderes no município.
Durante a entrevista, Wilson Santos reconheceu que os atritos entre Executivo e Legislativo vêm se acumulando e ganhando repercussão pública, ao mesmo tempo em que adotou um discurso de reaproximação e diálogo.
“O que me trouxe aqui é a importância de Várzea Grande, né? É a segunda maior população do estado, mais de 320 mil habitantes, e dentro da região metropolitana, Cuiabá é a continuação de Várzea Grande e vice-versa.”
Ao relembrar sua trajetória como ex-vereador, o deputado afirmou conhecer as prerrogativas do Parlamento Municipal, mas admitiu que o ambiente político local é marcado por conflitos recorrentes.
“Comecei a minha vida pública também como vereador a minha vida parlamentar em Cuiabá, em 89, 90. Sei das prerrogativas do Parlamento Municipal. E temos assistido pela imprensa uma série de atritos e nada melhor do que sentar olho a olho, cara a cara, para ouvir.”
Segundo o parlamentar, o encontro com os vereadores resultou em uma série de reclamações formalizadas, que ele se comprometeu a documentar e levar à prefeita. A necessidade dessa intermediação evidencia a fragilidade dos canais institucionais de diálogo entre os poderes municipais.
“Eu vi aqui hoje muitas declarações pertinentes, prerrogativas do Parlamento que precisam ser respeitadas, colhi uma série de reclamações, recebi por parte desse conjunto de vereadores autorização para procurar e vou documentar. Todas essas reclamações, todas essas observações que eu anotei, vou levar a prefeita para tentar ajudar aí na melhoria da harmonização, na convivência entre os dois poderes, porque quem ganha com essa reaproximação e com essa harmonia entre os poderes é o cidadão que paga o tributo, é a população.”
O clima de tensão ficou ainda mais evidente quando Wilson Santos reconheceu as cobranças feitas por vereadores, inclusive após ter sido protagonista de críticas direcionadas à presidência da Câmara no dia anterior.
“Olha, eu dei um puxão de orelha no presidente de Wanderley e hoje eu tomei vários puxões de orelha. Quem vem para a democracia é isso. Nós estamos sempre aprendendo, não podemos fugir do diálogo e hoje a câmara até me surpreendeu, maciçamente presente, me fez uma série de puxões de orelha, os recebo, saiu daqui aprendendo esta lição e vou trabalhar para que a população.”
Ao final, o deputado defendeu uma reaproximação institucional sem que o Legislativo abra mão de sua função constitucional de fiscalizar o Executivo, discurso que surge após críticas públicas e reforça o cenário de instabilidade política em Várzea Grande.
“A população de Várzea Grande possa ver o fim desse distanciamento entre os dois poderes, que haja uma reaproximação sem o parlamento perder as suas prerrogativas de legislar de forma legal e fiscalizar o Executivo.”