O governo do México confirmou neste domingo (22) a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, apontado como líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG). Ele foi atingido durante uma operação do Exército na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, e morreu enquanto era transportado de avião para a capital do país.
De acordo com a Secretaria de Defesa Nacional, forças federais de diferentes ramos das Forças Armadas participaram da ação. Houve troca de tiros com integrantes do cartel, resultando na morte de quatro suspeitos ainda no local. Oseguera e outros dois homens ficaram gravemente feridos e não resistiram aos ferimentos durante a remoção para a Cidade do México.
Três militares também foram baleados na operação e levados para atendimento hospitalar na capital mexicana.
Repercussão e violência
A ofensiva provocou uma série de confrontos e bloqueios em diferentes pontos de Jalisco, estado que receberá quatro partidas da Copa do Mundo de 2026, em junho. A instabilidade se espalhou ainda para regiões vizinhas, como Michoacán e Guanajuato, ampliando o clima de tensão.
Considerado pelas autoridades dos Estados Unidos como um dos criminosos mais perigosos do mundo, “El Mencho” era descrito pela Drug Enforcement Administration (DEA) como chefe de uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do México. O governo americano oferecia recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.
Trajetória no crime
Nascido em julho de 1966, no estado de Michoacán, Oseguera teve passagem pelos Estados Unidos, onde, em 1994, foi condenado na Califórnia por conspiração para distribuir heroína e cumpriu três anos de prisão.
Ao retornar ao México, chegou a atuar como policial em Jalisco, mas logo voltou ao narcotráfico. Antes de fundar o CJNG, integrou o extinto Cartel Milenio e chegou a atuar como chefe de pistoleiros. Também esteve ligado ao Cartel de Sinaloa, organização que teve como principal líder Joaquín Guzmán, o “El Chapo”, atualmente preso nos Estados Unidos.
Segundo a DEA, o CJNG surgiu na década de 2010 após a fragmentação do Cartel Milenio, consolidando-se rapidamente como uma potência do narcotráfico. Em 2015, o grupo demonstrou força ao derrubar um helicóptero militar durante uma operação de segurança, episódio que deixou três soldados mortos.
No ano seguinte, o cartel foi responsabilizado pelo sequestro de um dos filhos de “El Chapo” em um restaurante de Puerto Vallarta. A vítima foi libertada dias depois.
Rede de tráfico internacional
Autoridades americanas apontam o CJNG como um dos principais responsáveis pelo envio de metanfetamina e fentanil aos Estados Unidos, com lucros estimados em bilhões de dólares. O grupo também teria conexões com fornecedores de precursores químicos na China e presença em mais de 40 países, incluindo nações das Américas, da Ásia e da Oceania.
Com a morte de “El Mencho”, autoridades mexicanas monitoram possíveis disputas internas e reações violentas do cartel, que pode enfrentar um novo rearranjo de poder no submundo do narcotráfico.
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