A Assembleia de Especialistas do Irã anunciou neste domingo (8) a escolha de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país. A decisão foi divulgada pela mídia estatal iraniana após reunião do colegiado responsável por definir a sucessão na mais alta autoridade política e religiosa da República Islâmica.
Filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba já era apontado há anos como um dos nomes mais cotados para suceder o pai, que morreu no fim de fevereiro durante bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em Teerã. Apesar de a estrutura política do regime não incentivar sucessões familiares, ele mantém forte influência entre setores do establishment clerical e dentro da Guarda Revolucionária.
Após a confirmação da escolha, a Assembleia convocou a população iraniana a manter a unidade nacional e a declarar lealdade ao novo líder. A nomeação também recebeu manifestações públicas de apoio das Forças Armadas e dos Guardas Revolucionários, que afirmaram estar prontos para seguir as orientações do novo chefe da República Islâmica.
Nascido em 8 de setembro de 1969, Mojtaba Khamenei é um clérigo de escalão intermediário e considerado uma figura influente no núcleo político do país. Conhecido por posições mais duras dentro do regime, ele possui relação próxima com a elite militar ligada à Guarda Revolucionária.
Com a nomeação, Mojtaba passa a ocupar o cargo mais poderoso do Irã, acumulando autoridade política e religiosa e assumindo também o posto de comandante-em-chefe das Forças Armadas. O anúncio oficial foi confirmado pelo membro do conselho Ahmad Alamolhoda e dependia da formalização pelo chefe do secretariado da Assembleia de Especialistas, Hosseini Bushehri, conforme informou a agência iraniana Mehr.
Ali Khamenei governou o Irã como líder supremo desde 1989. Sua morte, em 28 de fevereiro, ocorreu durante ataques aéreos conduzidos por forças americanas e israelenses contra estruturas estratégicas em Teerã, operação que também atingiu integrantes do alto escalão militar do regime e ampliou a tensão no Oriente Médio.
Neste domingo, durante a oração do Angelus na Praça São Pedro, em Roma, o papa Leão XIV voltou a pedir o fim da guerra e a retomada do diálogo. Segundo o pontífice, o conflito tem se espalhado pela região e contribuído para um ambiente crescente de medo e hostilidade.