O delegado da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, Fábio Nahas, detalhou como funcionava o centro de treinamento de uma facção criminosa descoberto durante a Operação Argos, deflagrada pela Polícia Civil em Mato Grosso, nessa sexta-feira (13).
Segundo ele, integrantes da organização eram levados para uma área de mata, onde passavam por um treinamento que durava cerca de 45 dias, com aulas de sobrevivência na selva, manuseio de armas e técnicas de combate.
“As investigações começaram em outubro, quando conseguimos confirmar o local onde funcionava o centro de treinamento. Já havia informações há cerca de um ano de que pessoas estavam sendo levadas para lá”, afirmou o delegado.
De acordo com Nahas, após o período de treinamento, os integrantes da facção eram enviados para regiões onde ocorrem disputas entre organizações criminosas.
“Eles ficavam cerca de 45 dias nesse treinamento e, depois disso, eram levados para locais de confronto, principalmente na região de Cáceres, onde há disputa com integrantes do PCC”, explicou.
Treinamento com armas e sobrevivência na mata
Durante o treinamento, os participantes aprendiam a atirar, montar e desmontar armas de fogo e se deslocar na mata para evitar a captura após confrontos.
As investigações apontam que os integrantes também eram orientados sobre técnicas de sobrevivência na selva, que incluíam formas de se esconder na mata e permanecer em fuga após ataques.
Segundo a Polícia Civil, as informações sobre o curso começaram a surgir em diferentes delegacias de Mato Grosso. Em várias prisões de membros de facções, suspeitos relataram aos policiais que haviam participado de um curso de sobrevivência na selva e manutenção de armamento realizado em uma área indígena.
Investigações continuam
O delegado afirmou que o material apreendido durante a Operação Argos ainda será analisado e pode levar a novos desdobramentos da investigação.
“Colhemos bastante material durante o cumprimento dos mandados, que agora será analisado para dar continuidade às investigações”, disse.
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