Preso na manhã desta quarta-feira (8) por matar a esposa e ocultar o cadáver, Izaías Gimenez, de 52 anos, passou quase três anos impune até, enfim, ir parar atrás das grades, graças às mudanças na legislação que endureceram a punição contra assassinos de mulheres.
Entenda o caso
O crime ocorreu entre os dias 07 e 08 de julho de 2023, em Campo Grande. A investigação da Polícia Civil, à época, denunciou o autor por homicídio qualificado pelo motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, ocultação de cadáver, além da qualificadora de feminicídio.
Em 2023, o feminicídio ainda não era considerado um crime autônomo. Ao longo do processo, não foi solicitada a prisão preventiva do autor, que seguiu livre mesmo após matar e tentar esconder o corpo da esposa.
Entretanto, através da Lei 14.994 de 2024, o feminicídio teve a pena máxima aumentada de 20 para 40 anos de reclusão em regime fechado e, enfim, deixou de ser uma qualificadora.
Enquanto o processo tramitava a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) assumiu a investigação e pediu pela prisão preventiva de Izaías, que foi aceita pela Justiça de Mato Grosso do Sul em 24 de março de 2026.
Ao longo de 15 dias, os investigadores passaram a procurar pelo autor, que acabou localizado ao buscar o RG em um shopping no centro da cidade. Ele foi abordado pelos agentes enquanto aguardava atendimento na recepção.
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O crime
Valdinéia Ferreira Delgado, de 34 anos, era manicure e estava casada com o suspeito há seis anos. Informações da polícia indicam que o relacionamento foi marcado por diversos episódios de violência doméstica.
Na noite do dia 7 de julho, a mulher participou de uma festa junina no bairro onde morava e, na madrugada do dia seguinte, ao retornar para casa, foi surpreendida pelo marido, que não aceitou o fato dela sair sozinha.
Ao ser agredida, Valdineia foi atingida por um golpe no pescoço, que causou lesão na cervical dela e, em seguida, a morte da vítima.
Após matar a esposa, o autor levou o corpo dela para uma estrada vicinal próximo à Avenida Zila Corrêa, em Campo Grande. A vítima foi identificada através de exame papiloscópico.