Sirenes, lojas cercadas e cofres abertos. Foi assim que a polícia de Londres iniciou uma série de operações para combater um crime que saiu do controle: o roubo de celulares. Só no último ano, cerca de 80 mil aparelhos foram furtados na cidade, segundo dados oficiais.
O que parecia um crime de rua comum revelou algo maior. As investigações apontam para uma rede internacional, que usa lojas de celulares usados como intermediárias para coletar aparelhos roubados e enviá-los para o exterior.
Em uma das operações, policiais apreenderam cerca de 2 mil celulares roubados e 200 mil libras em dinheiro (aproximadamente R$ 1,4 milhão). Em outro ponto, próximo ao aeroporto de Heathrow, foram encontradas caixas com celulares escondidos e prontos para envio, principalmente para países como China e Argélia.
De crime de rua a esquema global
Durante anos, o roubo de celulares foi tratado como um delito de menor gravidade. Mas um caso chamou a atenção da polícia: uma vítima conseguiu rastrear o próprio aparelho até um galpão. No local, agentes encontraram centenas de dispositivos prontos para exportação.
A partir daí, ficou claro que não se tratava apenas de furtos isolados. Segundo investigadores, o esquema funciona em três níveis:
- ladrões nas ruas, que roubam os aparelhos
- comerciantes e intermediários, que compram e revendem
- exportadores, responsáveis por enviar os celulares para outros países
Em alguns mercados internacionais, esses aparelhos podem alcançar valores elevados, o que torna o negócio altamente lucrativo.
Bicicletas elétricas e sensação de impunidade
Nas ruas, o perfil dos criminosos também mudou. Muitos atuam em bicicletas elétricas, com o rosto coberto, e roubam celulares das mãos de pedestres em segundos.
O crime cresceu não só pela facilidade, mas também pelo baixo risco. Dados mostram que, apesar de mais de 100 mil celulares roubados em um período recente, menos de 500 pessoas foram responsabilizadas.
Especialistas apontam que cortes no orçamento da polícia ao longo dos anos contribuíram para esse cenário, reduzindo a capacidade de investigação de crimes considerados menores.

Para onde vão os celulares
Parte dos aparelhos é revendida dentro do próprio Reino Unido. Mas muitos são enviados para o exterior, onde podem ser usados normalmente ou desmontados para venda de peças.
Em alguns países, celulares bloqueados na Europa continuam funcionando, o que facilita a revenda e aumenta o lucro das redes criminosas.
Crime lucrativo e difícil de conter
O roubo de celulares hoje representa cerca de 70% dos furtos em Londres. Com aparelhos cada vez mais caros, o crime se tornou uma atividade altamente lucrativa.
Segundo a polícia, um único celular pode render centenas de libras aos criminosos, valor que supera o salário diário de muitos trabalhadores.
Agora, o foco das autoridades é desmantelar as redes por trás do esquema e reduzir a sensação de impunidade. Ao mesmo tempo, há um alerta para os usuários: o comportamento nas ruas também influencia.
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