Wesley Moreno/Power Mix
Nova Mutum/MT
Os casos de hantavírus na Argentina quase dobraram na atual temporada e acenderam um alerta sanitário no país. Segundo dados do Ministério da Saúde argentino, já foram registrados 101 casos confirmados e 32 mortes desde junho de 2025, o maior número de infecções desde 2018.
O avanço ocorre em meio às investigações envolvendo um surto registrado no navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, no dia 1º de abril e segue em direção às Ilhas Canárias, na Espanha.
Autoridades argentinas tentam rastrear os passos de um casal holandês que morreu após contrair o vírus. Os dois viajaram por diferentes regiões da Argentina, passaram pelo Chile e Uruguai antes de embarcar no cruzeiro.
Especialistas atribuem o aumento dos casos às mudanças climáticas, degradação ambiental e destruição de habitats naturais, fatores que favorecem a proliferação dos roedores transmissores da doença.
A hantavirose é geralmente transmitida pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. O hantavírus costuma se desenvolver em áreas rurais e periurbanas, principalmente em locais com vegetação alta, umidade e clima subtropical.
Apesar de historicamente associada à Patagônia, no sul argentino, a doença vem avançando para novas regiões. Nesta temporada, a província de Buenos Aires lidera o número de casos, com 42 registros confirmados.
O surto no navio foi associado à cepa andina do hantavírus, considerada rara e potencialmente grave. Diferentemente de outras variantes, ela pode apresentar transmissão entre humanos em situações específicas de contato próximo e prolongado.
Segundo o infectologista Eduardo López, consultor do governo argentino durante a pandemia de Covid-19, as alterações climáticas têm impacto direto no avanço da doença.
“O aumento da temperatura gera mudanças no ecossistema que afetam a presença do rato-de-cauda-longa, principal vetor do vírus na Argentina e no Chile”, explicou.
Especialistas também apontam que incêndios florestais, expansão urbana em áreas rurais e crescimento do turismo em regiões silvestres aumentam o risco de exposição humana ao vírus.
Equipes técnicas do Ministério da Saúde argentino devem viajar até Ushuaia para capturar e analisar roedores em áreas ligadas ao trajeto do casal holandês. No entanto, autoridades locais afirmam que ainda não há confirmação de que a contaminação tenha ocorrido na região.
O surto reacendeu comparações com o início da pandemia de Covid-19, principalmente devido à presença de passageiros de diferentes países a bordo do cruzeiro.
Apesar da preocupação, especialistas ressaltam que o potencial de disseminação do hantavírus é muito menor do que o do coronavírus.
A professora Charlotte Hammer, especialista em Segurança Sanitária e Doenças Infecciosas da Universidade de Cambridge, explicou à CNN que a transmissão entre pessoas é limitada e exige contato muito próximo e prolongado.
“Em termos de potencial de transmissão, é incrivelmente diferente da Covid”, afirmou.
Segundo ela, ambientes fechados e compartilhados, como navios de cruzeiro, favorecem o risco de transmissão, mas a doença não se espalha com a mesma facilidade observada durante a pandemia de coronavírus.
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