Agentes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) saíram às ruas de Campo Grande, nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (12), para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra sete pessoas investigadas por fraude em contratos de manutenção das ruas de Campo Grande. Entre os alvos estão empresários, servidores públicos e até o atual diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).
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Campo Grande volta a ser alvo de operação por corrupção no tapa-buracos
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Operação prende Rudi Fiorese, chefe da Agesul e ex-secretário
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Ex-secretário está entre alvos de Operação Cascalhos de Areia em MS
Na lista de presos estão sete pessoas. São eles:
- Edivaldo Aquino Pereira (ex-servidor da Sisep)
- Mehdi Talayeh (servidor na Sisep);
- Rudi Fiorese (diretor-presidente da Agesul)
- Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa (filho);
- Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa (pai);
- Fernando de Souza Oliveira (ex-servidor licenciado da Sisep)
- Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula (ex-servidor licenciado da Sisep)
Alguns dos envolvidos são conhecidos do Ministério Público. Em junho de 2023, a Operação Cascalhos de Areia, que revelou um esquema de fraude na concorrência em licitações para o serviço da capital, apontou diversos envolvidos. Entre os nomes estão Edivaldo Aquino Pereira, Mehdi Talayeh, Rudi Fiorese, Fernando de Souza Oliveira e Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula.
À época do esquema, Rudi Fiorese era secretário do esquema. O grupo é investigado por possível organização criminosa e lavagem de dinheiro, movimentando mais de R$ 300 milhões da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos).
Fiorese se desligou da pasta municipal em janeiro de 2023, após seis anos no cargo, mas em abril do mesmo ano foi lotado na Agesul. Atualmente, por ocupar o cargo de diretor-presidente da pasta, recebe salário de R$ 36,9 mil do Governo do Estado.
Operação Buraco sem Fim
Segundo o Ministério Público, a investigação que resultou na operação constatou a existência de uma organização criminosa que fraudou, sistematicamente, a execução do serviço de tapa-buraco em Campo Grande, por meio da manipulação de medições e de pagamentos indevidos.
As investigações revelaram pagamentos públicos por serviços que não foram realizados, resultando no “enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”.
Ainda de acordo com o Ministério Público, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02.

Apreensões
Além das prisões, dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Durante o cumprimento foram encontrados valores altos em dinheiro vivo na casa de dois investigados, que somaram R$ 429 mil.

Leia a nota do Seilog
“A Seilog esclarece que tomou conhecimento da operação, que apura contratos do Município de Campo Grande, e que não é alvo da investigação. O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe. A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública, acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor”.
O que dizem as defesas
Procurada pela reportagem, a defesa dos investigados alegou que precisaria ter acesso aos autos para dar uma declaração a respeito do caso.
“Assim que tiver acesso ao processo falamos. Não tive acesso aos autos”.
advogado Ricardo Machado, defesa de Antonio Roberto Pedrosa.
“Sigo aguardando o acesso aos autos”.
advogado Werther Sibut de Araújo, defesa de Rudi Fiorese e Edivaldo Aquino.
“Ainda não tive acesso. Não sei nada sobre os fatos, não tenho como me manifestar”.
advogado João Vitor Comiran, defesa de Mehdi Talayeh.
“Vou me inteirar dos assuntos e não me passaram se os clientes vão ser levados hoje para o Imol”.
advogado Fábio de Melo Ferraz, defesa de Erick Antônio Valadão de Paula e Fernando de Souza Oliveira.
A reportagem não encontrou a defesa de Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa (filho). Até o momento, a prefeitura de Campo Grande não se manifestou.