Um casal viveu momentos de desespero ao voltar para casa no bairro São Mateus, em Várzea Grande, depois que um fio solto no meio da rua enroscou na moto em que eles estavam. O cabo atingiu a mão de Antônio Cláudio de Oliveira, que teve um dedo cortado no acidente.
Segundo ele, tudo aconteceu muito rápido. Antônio contou que seguia de moto quando percebeu o fio e parou, mas o ferimento já havia ocorrido. O trabalhador acredita que o acidente poderia ter sido ainda mais grave se não fosse uma proteção instalada na motocicleta.
“Eu estava na moto, aí quando eu senti, parei e já tinha torado o dedo. Foi rápido demais, o fio estava no meio da rua. Tava com a antena na moto, se não fosse a antenazinha da moto, tinha acertado meu pescoço. Eu nasci de novo”, relatou.
Desde o acidente, Antônio está afastado do trabalho e a família tenta lidar com os impactos físicos, emocionais e financeiros. Ele deve ficar pelo menos mais dois meses sem trabalhar. Enquanto isso, a esposa, Adriana, passou a ser a principal responsável pela renda da casa.
“Agora vou passar mais dois meses sem trabalhar. Só minha mulher está trabalhando. Pago pensão também. É difícil para o trabalhador ficar tanto tempo parado”, disse.
Os acidentes podem acontecer com motociclistas, motoristas, ciclistas e até pedestres que passam pelas calçadas devido ao excesso de fios soltos nas ruas.
“Tem que ter muito cuidado. Se não fosse aquela proteção da moto, tinha acertado meu pescoço”, afirmou Antônio.
A advogada Andrea Aparecida Mendes explica que, em situações como esta, a vítima precisa registrar tudo que for possível no momento do acidente. Fotos, vídeos, testemunhas, laudos médicos e exames podem ajudar a identificar o responsável pelo fio e comprovar a extensão do dano.
“A pessoa pode processar e pedir danos morais, danos estéticos, e pode pedir uma pensão mensal, né, lucros cessantes, o que ele deixou de ganhar com aquilo. Então, vai depender muito do dano e do que a gente conseguir provar por meio de laudos médicos, exames, fotos, testemunhas; tudo isso é importante no processo”, explica.
O principal desafio, no entanto, é descobrir a quem pertence o cabo. Isso porque nem todo fio preso a postes é da rede elétrica. Muitos cabos pertencem a empresas de internet e telefonia.
Quem é responsável pelos fios?
A concessionária de energia é responsável por definir as regras de uso dos postes e fiscalizar o compartilhamento da estrutura. No entanto, os cabos de telecomunicação, como os de internet e telefonia, são de responsabilidade das próprias empresas que utilizam a estrutura.
“A Energisa é responsável pela fiscalização e pela notificação das ocupantes, e as empresas de telecomunicações são responsáveis pela manutenção dos próprios cabos seguindo os critérios técnicos com apresentação de projeto e aprovação. Havendo irregularidade, nós notificamos as empresas para que elas façam a regularização dentro do prazo previsto na regulação, que é de 30 dias. Lembrando que, em casos em que há risco iminente à segurança da população, nós atuamos de forma imediata. Após constatar irregularidade, nós removemos qualquer tipo de situação de risco”, afirmou o suplente da Energisa, Leonardo Lira.
A população também deve evitar tocar nos fios e acionar a concessionária para que seja feita a identificação da estrutura e da empresa responsável pelo cabo.
Em nota, a Secretaria de Serviços Públicos de Várzea Grande informou que a manutenção, organização e retirada de fios de telecomunicação e energia elétrica soltos em vias públicas é de responsabilidade da concessionária de energia.
A pasta afirmou ainda que, diante das demandas da população, tem acionado a concessionária para que sejam realizadas as intervenções necessárias.
Já a concessionária de energia informou que, somente neste ano, mais de duas toneladas de cabos soltos foram removidas de ruas e avenidas de Várzea Grande. O volume equivale a cerca de 34 quilômetros de fios retirados.