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MPMS deve denunciar envolvidos na operação Buraco Sem Fim até o início de junho

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deve apresentar, até o início de junho, denúncia contra os investigados na operação “Buraco Sem Fim”, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos. A informação foi confirmada pelo procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Júnior, em entrevista sobre os próximos passos da investigação.

Procurador-geral do MPMS, Romão Ávila Júnior (Foto: Geisy Garnes)

Segundo ele, o material apreendido durante a operação segue em análise e será incorporado aos elementos já reunidos ao longo das apurações que resultaram nas medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

“Estamos na análise deste material colhido, consubstanciado com aquilo que já tínhamos de elementos que redundaram nessas cautelares deferidas. Com a análise desse material, com as prisões mantidas, temos um prazo de 15 dias para oferecimento da denúncia e início da ação penal”, afirmou.

A operação “Buraco Sem Fim” teve origem em desdobramentos da operação “Cascalho de Areia”. De acordo com o procurador-geral, provas recolhidas anteriormente ajudaram a aprofundar as investigações atuais e podem, inclusive, dar origem a novas ações.

“O MPE não termina o seu trabalho com uma operação. Outras podem dar início em razão do material probatório colhido”, destacou.

As prisões dos investigados foram mantidas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Conforme o Ministério Público, a decisão levou em consideração a gravidade dos fatos investigados e a suposta reiteração criminosa apontada no processo.

“Foi percebido, sedimentado no âmbito do Judiciário, a necessidade da prisão dos envolvidos em razão da gravidade do fato e da reiteração criminosa”, explicou Romão Ávila Júnior.

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Entre os crimes investigados estão peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa. Durante a operação, mais de R$ 400 mil foram apreendidos nas residências dos alvos.

O procurador-geral ressaltou que, além da responsabilização criminal, o objetivo é garantir o ressarcimento dos valores desviados dos cofres públicos.

“As provas podem redundar nas prisões dos envolvidos e no ressarcimento dos valores desviados do erário público”, afirmou.

Ao comentar os desafios das investigações envolvendo corrupção, Romão Ávila Júnior destacou que os esquemas normalmente envolvem tanto agentes públicos quanto empresas privadas contratadas pelo poder público.

“Não há só corrupção por parte do agente político. É necessário ter, do outro lado, a empresa contratada para participar dessa corrupção. Há uma divisão desses valores e um desafio muito grande nas investigações”, concluiu.

Buraco sem fim
Rudi Fiorese (à esquerda) e Mehdi Talayeh (à direita), alvos da operação (Foto: Governo de MS/rede social)

Investigação

Segundo o Ministério Público, a investigação que resultou na operação Buraco Sem Fim constatou a existência de uma organização criminosa que frauda, sistematicamente, a execução do serviço de tapa-buraco em Campo Grande, por meio da manipulação de medições e de pagamentos indevidos.

As investigações revelaram pagamentos públicos por serviços que não foram realizados, resultando no “enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”.

Ainda de acordo com o Ministério Público, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02.

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