O soldado mato-grossense Arisson Benevides White, conhecido como Periquito, se pronunciou após o episódio que ganhou repercussão internacional nos últimos dias. Internado em um hospital na Ucrânia, o combatente gravou um vídeo neste domingo (21) para relatar a própria versão sobre a agressão sofrida durante um treinamento militar.
Veterano da guerra e natural de Cáceres (MT), Arisson apareceu anteriormente em imagens caído no chão após ser atingido na nuca com uma pedra durante uma reciclagem destinada a soldados que atuam no conflito ucraniano. Assista abaixo:
“Graças a Deus, eu estou vivo”, declarou Arisson logo no início do depoimento. Segundo o relato, ele participava de um curso de atualização ao lado de outro veterano identificado como Sasha, quando passou a questionar métodos adotados pelos responsáveis pelo treinamento.
De acordo com o combatente, recrutas eram submetidos a longos períodos sob o sol e a exercícios considerados excessivos.
“Eu me deparei com coisas que não são cabíveis no meio militar. Excesso de regras, punições excessivas para os recrutas novos que chegaram agora”, afirmou. Arisson citou uma instrutora identificada como Yasmim e alegou que as medidas adotadas no local extrapolavam os limites aceitáveis.
Discussão terminou em agressão
O soldado relatou que se recusou a participar de uma corrida por possuir restrições médicas decorrentes de sequelas adquiridas durante a guerra. Segundo Arisson, tanto ele quanto Sasha apresentavam atestados emitidos por uma comissão médica que proibia a realização de determinados esforços físicos.
“Eu falei para ela que eu e meu amigo Sasha temos um atestado dado pelo próprio comitê do VLK médico que proibia a gente de fazer exercícios físicos porque a gente tem sequelas da guerra”, disse.
Ainda conforme o relato, a negativa provocou uma discussão. O combatente afirma que passou a exigir respeito pela condição de veterano e que a situação saiu do controle.
“Nisso ela surtou, veio para cima de mim, tentou me agredir, me enforcar e, pelo fato de eu ser homem, eu não revidei”, declarou.
Arisson afirmou que, durante a confusão, foi imobilizado por outros militares e acabou atingido na parte de trás da cabeça por Alim, identificado por ele como namorado da instrutora.
“O namorado dela, Alim, aproveitou para me apunhalar pelas costas com um pedaço de pedra na minha cabeça, na minha nuca, e eu vim a desfalecer”, relatou.
Segundo o combatente, a agressão provocou perda de consciência e confusão mental. Ele também agradeceu o apoio recebido de Sasha, que o acompanhou até o hospital. “Fiquei desacordado e, graças aos meus amigos, o Sasha me deu apoio e me acompanhou no hospital.”
As acusações apresentadas por Arisson no vídeo não foram comentadas publicamente pelos dois instrutores citados pelo combatente, até a publicação desta reportagem. O Primeira Página também não localizou manifestações públicas atribuídas ao casal sobre o episódio.
O que diz o Batalhão
O perfil do 2º Batalhão Falcon, unidade à qual Arisson pertence, confirmou que o militar está hospitalizado e informou que acompanha o caso.
Em nota, a corporação afirmou que presta apoio ao combatente e cobra a adoção das medidas cabíveis.
“A Falcon 159 também reafirma seu compromisso com a justiça e informa que acompanhará o caso de perto, adotando e cobrando o cumprimento de todas as medidas legais cabíveis em relação aos responsáveis pelos fatos ocorridos.”
Apesar da manifestação pública do combatente e da confirmação da internação pelo batalhão, ainda não foi divulgado um boletim médico oficial com informações detalhadas sobre o estado clínico de Arisson.
As circunstâncias da agressão e eventuais responsabilizações seguem sendo acompanhadas pela unidade militar ligada ao soldado brasileiro.
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