Uma motorista de aplicativo, de 26 anos, admitiu ter forjado o próprio sequestro para aplicar um golpe contra uma locadora de veículos e uma seguradora, em Campo Grande. O plano, no entanto, foi frustrado pela Polícia Civil antes que o carro fosse entregue a um grupo criminoso na fronteira do Brasil com o Paraguai, nessa quarta-feira (15).
As investigações começaram depois que o Grupo de Operações e Investigações (GOI) recebeu informações da Polícia Civil do Paraná sobre o suposto desaparecimento de uma mulher. A mãe da motorista havia registrado um boletim de ocorrência informando que a filha teria sido sequestrada durante uma corrida por aplicativo.
O rastreador do veículo indicava que o carro estava no Bairro Nova Lima, em Campo Grande.
Para os policiais, ele contou que um desconhecido o encarregou de retirar a chave do veículo, mas apresentou versões contraditórias e até indicou um endereço que, depois, foi descartado pelos investigadores por não ter ligação com o caso. Já o veículo foi apreendido e levado para a Depac Cepol.
Enquanto as equipes continuavam as buscas pela suposta vítima, o GOI recebeu a informação de que a mulher estava no Centro POP de Campo Grande. Os investigadores foram até o local e localizaram a motorista.
O falso sequestro
Durante o depoimento, a mulher contou que não havia sido sequestrada. Ela afirmou que participou voluntariamente do plano para aplicar um golpe contra a seguradora e a empresa responsável pelo veículo alugado.
Segundo a motorista ela foi convidada por integrantes de um grupo criminoso por meio de um homem conhecido como “Professor” e aceitou participar por causa de dificuldades financeiras.
O plano era levar o carro até a fronteira com o Paraguai, onde o veículo seria entregue ao grupo criminoso. Em seguida, seria registrado um falso boletim de ocorrência para permitir o recebimento de uma indenização do seguro.
A motorista disse ainda que, ao perceber a dimensão do crime, quis desistir, mas foi pressionada pelos outros envolvidos a continuar. Ela também afirmou que recebeu orientação para registrar uma falsa ocorrência de roubo e que teve o celular retido pelos criminosos durante parte da ação.
Apesar do plano, o golpe não foi concluído porque os criminosos não conseguiram retirar o rastreador instalado no veículo. Com isso, a Polícia Civil conseguiu localizar o carro antes que ele fosse levado para a fronteira. O automóvel foi devolvido ao representante da locadora.
Conforme o registro, a mulher é investigada pelos crimes de tentativa de estelionato e associação criminosa. As investigações continuam para identificar e responsabilizar os demais envolvidos.