O ex-delegado de Peixoto de Azevedo, Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues, um investigador da Polícia Civil e dois empresários foram condenados pela Justiça de Mato Grosso por integrar um esquema de corrupção instalado na delegacia do município, no norte do estado.
Segundo a sentença, os envolvidos cobravam dinheiro de presos em troca de benefícios, como permanência em cela com ar-condicionado e até a concessão de liberdade após o pagamento da fiança.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), as investigações tiveram início a partir de apurações da Corregedoria da Polícia Civil, que identificaram um esquema de cobrança de vantagens indevidas dentro da própria delegacia.
De acordo com a sentença, diálogos obtidos por meio de captação ambiental autorizada pela Justiça mostram Geordan e Marcos Paulo discutindo a divisão do dinheiro obtido ilegalmente. Em uma das conversas, os dois utilizam a expressão em inglês “fifty-fifty” para indicar que os valores seriam repartidos igualmente.
Cobrança de até R$ 10 mil
A decisão detalha ao menos dois episódios de corrupção envolvendo presos custodiados na delegacia em novembro de 2023.
No primeiro caso, delegado e investigador solicitaram R$ 10 mil para que um empresário preso em flagrante durante a Operação Hermes II permanecesse em um alojamento com ar-condicionado, em vez de ser encaminhado à cela comum.
Em outra situação, conforme a sentença, os policiais exigiram R$ 9 mil de um homem preso por embriaguez ao volante para colocá-lo em liberdade após o pagamento da fiança oficial, fixada em R$ 1 mil. Segundo a investigação, os envolvidos estabeleceram o valor total de R$ 10 mil, descontando a fiança legal e dividindo entre si o restante da quantia.
Além desses casos, o processo também apontou cobrança de vantagens para liberação de bens apreendidos e influência em procedimentos conduzidos pela delegacia.
Penas e perda dos cargos
Pelos crimes de corrupção passiva, Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues e Marcos Paulo Angeli foram condenados, cada um, a 10 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 210 dias-multa.
Já os empresários Romildo Queiroz de Souza e Sidney Carlos de Paula receberam pena de dois anos e oito meses de reclusão, além de 30 dias-multa, por corrupção ativa.
Na sentença, o magistrado também decretou a perda dos cargos públicos ocupados por Geordan e Marcos Paulo.

Segundo o juiz, as condutas demonstraram “absoluta incompatibilidade” com o exercício da função pública, uma vez que os crimes ocorreram dentro da própria delegacia e envolveram a comercialização de atos inerentes ao cargo e de benefícios destinados a pessoas presas.
A perda dos cargos será efetivada após o trânsito em julgado da condenação.
Outro processo
Geordan já havia sido alvo da Operação Diaphthora, deflagrada pela Polícia Civil em abril deste ano, que investiga outro suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis, empresários e um advogado ligados ao garimpo na região norte de Mato Grosso.
Na ocasião, ele foi preso preventivamente sob suspeita de receber propina mensal de uma cooperativa de garimpeiros, além de cobrar vantagens indevidas para liberar bens apreendidos e influenciar procedimentos criminais. O ex-delegado foi colocado em liberdade na última quinta-feira (16), mediante cumprimento de medidas cautelares. Marcos Paulo, preso na mesma operação, continua detido.
Defesa
Em nota, a defesa de Geordan Fontenelle afirmou que recebeu a sentença com tranquilidade, mas discorda da decisão.
Segundo o advogado Pedro Henrique Gonçalves, não existem provas suficientes para sustentar a condenação. Por isso, a defesa informou que recorrerá da sentença às instâncias superiores.
A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos demais condenados.
Geordan já havia sido alvo da Operação Diaphthora, deflagrada pela Polícia Civil em abril deste ano, que investiga outro esquema de corrupção envolvendo policiais civis, empresários e um advogado. Na ocasião, ele foi preso preventivamente, sob suspeita de receber propina de uma cooperativa de garimpeiros e de cobrar vantagens indevidas para liberar bens apreendidos e influenciar procedimentos criminais. O delegado foi colocado em liberdade na última quinta-feira (16), mediante cumprimento de medidas cautelares. O investigador preso na mesma operação permanece detido.
Defesa
Em nota, a defesa de Geordan Fontenelle informou que recebeu a sentença com tranquilidade, mas discorda da decisão. Segundo o advogado Pedro Henrique Gonçalves, não há provas suficientes para justificar a condenação e, por isso, a defesa recorrerá da sentença às instâncias superiores.
A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos demais condenados.
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