O Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol de Mato Grosso (TJD-MT) concluiu, na noite desta terça-feira (21), o julgamento do processo que apurou suspeitas de manipulação de resultados na Segunda Divisão do Campeonato Mato-grossense de 2026. O presidente do Campo Novo, Alexsandro de Melo Silva, tornou-se réu no processo desportivo após denúncia apresentada pela Procuradoria da Justiça Desportiva e respondia por supostas infrações aos artigos 242 e 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que tratam de condutas contrárias à ética esportiva e de manipulação de resultados.
A investigação teve início após o presidente do Santa Cruz registrar um boletim de ocorrência relatando que teria sido procurado por Alexsandro com uma proposta para influenciar o resultado de uma partida entre as equipes, válida pela Segunda Divisão do Estadual. Segundo o depoimento prestado ao TJD-MT, teria sido oferecido um total de R$ 13 mil, sendo entre R$ 5 mil e R$ 8 mil destinados ao dirigente para aceitar a proposta e outros R$ 8 mil para que quatro jogadores do Santa Cruz diminuíssem o rendimento durante o confronto, facilitando a vitória do Campo Novo.
Com base no boletim de ocorrência e nas informações apresentadas pela Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), o TJD-MT instaurou um inquérito para investigar o caso. Durante a instrução, foram ouvidos o presidente do Santa Cruz, o delegado da partida, o árbitro do confronto entre Sorriso e Campo Novo, além do próprio Alexsandro e outras testemunhas. O Tribunal também requisitou imagens da partida, documentos da FMF e informações da Polícia Civil para complementar a apuração.
Outro depoimento considerado relevante foi o do delegado da partida entre Sorriso e Campo Novo, realizada em 1º de maio e vencida pelo Sorriso por 9 a 0. Segundo ele, durante o jogo, Alexsandro comentou que atletas estariam sendo aliciados por grupos ligados às apostas esportivas e afirmou que sofria pressão de um suposto “comando”, alegando que não conseguia impedir esse tipo de situação.
Em seu depoimento, Alexsandro negou ter participado de qualquer esquema de manipulação. Ele afirmou que conhecia a atuação de empresários ligados às apostas, disse ter sido pressionado para escalar determinados atletas e sustentou que afastou um jogador ao tomar conhecimento de suspeitas envolvendo apostas esportivas. Também negou ter pedido ao presidente do Santa Cruz que entregasse a partida, afirmando que apenas tentou alertá-lo sobre a atuação de pessoas envolvidas com esse tipo de prática.
Mesmo sem concluir que houve efetiva alteração no resultado das partidas investigadas, a Procuradoria da Justiça Desportiva entendeu que havia elementos suficientes para oferecer denúncia contra o dirigente, sustentando que sua conduta atentou contra a integridade da competição. Ao longo de todo o processo, a FMF afirmou que adotou todas as providências cabíveis assim que tomou conhecimento das denúncias, encaminhando imediatamente o caso ao TJD-MT para investigação. Após a conclusão do julgamento, o Tribunal definiu as sanções aplicáveis aos envolvidos, encerrando a análise do caso na esfera da Justiça Desportiva.