A defesa da família de Welington dos Santos Vieira, de 27 anos, morto com um tiro nas costas pela Polícia Militar (PM) na última segunda-feira (30), nega que o rapaz tenha participado do assassinato de um casal dias antes da abordagem, em Anastácio. Welington também não teria sido reconhecido por testemunhas apresentadas no caso, conforme o advogado Walisson Reis Pereira da Silva, que representa a família do rapaz.
Entenda
Welington figura entre os suspeitos do assassinato de Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos, e da esposa, Maria Clair Luzni, de 46 anos. Eles foram mortos em casa, na Rua Nicandro Saravi, no bairro Vila Juí, em Anastácio, no dia 26 de março, mas os corpos só foram encontrados dois dias depois, em 28 de março. A filha do casal, Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, e o namorado, Wendebrson Haly Matos da Silva, são suspeitos de serem os mandantes do crime e estão presos.
“O Welington não estava envolvido, o Welington não participou. Hoje nós levamos à delegacia cinco testemunhas para serem ouvidas pela delegada. Foi mostrado a elas um vídeo de reconhecimento, e essas testemunhas não reconheceram o Welington como sendo a pessoa que tenha participado. Então, não é verdade.”
Walisson Reis Pereira da Silva.
Tiro nas costas e vídeo
Os disparos ocorreram na madrugada de terça-feira (31), depois que policiais militares receberam denúncias de que Welington estaria no bairro Cristo Rei, em Anastácio, próximo a uma lanchonete. No boletim de ocorrência, os policiais afirmaram que o rapaz reagiu à abordagem e tentou agredir a equipe.
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Os militares teriam revidado, e o suspeito foi atingido por disparos, conforme o registro policial. No entanto, vídeo da abordagem mostra o contrário. Nele, Welington aparece sendo baleado pelas costas enquanto fugia dos PMs.
Assista abaixo.
O advogado classifica a abordagem da Polícia Militar como “execução” e cobra a devida apuração do caso.
“A gente assiste ao vídeo e entende que foi uma execução praticada por policiais militares em serviço contra uma pessoa já rendida. Nas imagens, não vemos ele com arma, não vemos ele com faca, e sim assistimos a uma execução (…) Nós já entramos em contato com o Ministério Público para que acompanhe esse caso. Porque assistimos a uma imagem muito forte de uma pessoa sendo executada, e a Polícia Militar falseou a verdade. Os policiais envolvidos mentiram para enganar o delegado e as autoridades.”
Walisson Reis Pereira da Silva.
O que diz a Polícia Militar
Diante da repercussão do vídeo, a Corregedoria da Polícia Militar decidiu afastar os três policiais envolvidos na abordagem e ressaltou que não aceita desvio de conduta ou procedimentos que extrapolem os limites estabelecidos.
“Ao tomar conhecimento do vídeo, a Corregedoria-Geral identificou e afastou os militares, além de abrir um procedimento para apurar os fatos e a responsabilização das condutas, para aplicar as sanções cabíveis.”
Polícia Militar.
Outro envolvido
A Polícia Civil afirma que, além de Welington, também participou diretamente da execução do casal David Vareiro Machado, de 24 anos. Este, por sua vez, acabou sendo morto pelo namorado de Maria de Fátima, Wendebrson Haly Matos da Silva, no dia seguinte ao duplo homicídio, em 27 de março, após cobrar o pagamento pelo crime.
A reportagem entrou em contato com delegada titular da Delegacia de Anastácio, Tatiana Zynger, em busca de atualizações, mas ainda não obteve retorno.