Uma mulher apontada pelas autoridades como uma das principais articuladoras financeiras do Comando Vermelho foi presa nesta terça-feira (13) em Armação de Búzios (RJ) durante uma operação conjunta de inteligência envolvendo forças de segurança de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso. A presa foi identificada como Anne Cristina Casaes da Silveira, de 39 anos, conhecida como “Dama do Crime” e considerada foragida da Justiça.
A prisão foi resultado do compartilhamento de informações entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, a Subsecretaria de Inteligência do Rio de Janeiro, o 25º Batalhão da Polícia Militar fluminense e o Gabinete de Segurança Institucional do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A abordagem foi realizada pela PM do Rio.
Segundo os órgãos de segurança, Anne exercia papel estratégico na estrutura da facção, atuando como elo entre Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro em articulações interestaduais e sendo responsável pela movimentação, ocultação e lavagem de recursos provenientes das atividades ilícitas do grupo.
As investigações atribuem a ela participação recorrente em esquemas de fraude, especialmente contra seguradoras, com destaque para golpes envolvendo o seguro DPVAT, além de crimes como uso de documentos falsos, falsa identidade, associação criminosa e extorsão. Também há registros que a vinculam a investigações por organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
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Anne acumula inquéritos policiais em andamento, registros de prisões em diferentes modalidades e condenação criminal, inclusive com cumprimento de pena em regime semiaberto, segundo as autoridades.
Ela é viúva de Anders Araújo de Cerqueira, conhecido como “Júnior Gago”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, assassinado na Bolívia em outubro de 2023. O caso ainda é investigado.
A presa também foi alvo da Operação Reversus, deflagrada em julho de 2025 pela Polícia Civil de Mato Grosso, que mirou um esquema interestadual de lavagem de dinheiro e fraudes bancárias ligado ao núcleo financeiro de uma organização criminosa.
Defesa nega acusações
Em nota, a defesa de Anne Cristina afirmou que já está adotando medidas judiciais para a expedição da guia de execução penal e para o restabelecimento da prisão domiciliar, benefício que teria sido concedido anteriormente em outros processos.
Os advogados sustentam que Anne é inocente, negam qualquer vínculo com facção criminosa ou envolvimento com fraudes no sistema de justiça e classificam as acusações como inverídicas. A defesa afirma ainda que confia na reversão da prisão e na obtenção da liberdade da cliente.
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