Reprodução redes sociais
Wesley Moreno/Power Mix
Irã
O governo do Irã deverá executar, nesta quarta-feira (14), o jovem Erfan Soltani, de 26 anos, apontado por organizações de direitos humanos como o primeiro manifestante condenado à morte no contexto da atual onda de protestos contra o regime dos aiatolás. As manifestações, iniciadas no fim de 2025, já deixaram ao menos 2 mil mortos em todo o país.
A informação foi divulgada pela Organização Hengaw para os Direitos Humanos, que acompanha de perto a repressão estatal no Irã. Segundo a entidade, a condenação de Soltani ocorreu por meio de um processo judicial acelerado, sigiloso e sem garantias legais, levantando sérias preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento de intimidação política.
Erfan Soltani foi preso no dia 8 de janeiro, em sua residência, na cidade de Fardis, no distrito de Karaj. Apenas quatro dias após a prisão, a família foi informada de que a execução já havia sido marcada. Até o momento, os parentes não tiveram acesso formal às acusações nem aos autos do processo.
“A família só soube, poucos dias após a prisão, que a execução está marcada para esta quarta-feira. Eles estão sendo privados de qualquer informação sobre as acusações, o processo ou os procedimentos judiciais”, denunciou a Hengaw em comunicado oficial.
De acordo com a ONG, Soltani foi privado de direitos básicos, como acesso a advogado, direito à ampla defesa e garantias do devido processo legal. A irmã do jovem, que é advogada, tentou atuar no caso, mas teria sido impedida de acessar os documentos judiciais.
A família teve apenas uma breve visita final, autorizada pouco antes da data prevista para a execução.
Para a Hengaw, o caso representa uma grave violação do direito internacional, incluindo o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, do qual o Irã é signatário. O artigo 6º do tratado garante o direito à vida e impõe restrições severas ao uso da pena capital.
“O tratamento apressado e pouco transparente deste caso intensificou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos”, alertou a organização.
A atual onda de manifestações é considerada a maior desde 2009, impulsionada pela crise econômica, inflação elevada e insatisfação popular com o regime teocrático. Os protestos já duram 16 dias e foram registrados em 187 cidades iranianas.
Além do elevado número de mortos, a repressão resultou na prisão de cerca de 10,7 mil pessoas, segundo dados de organizações independentes, ampliando a pressão internacional sobre Teerã e reacendendo o debate global sobre direitos humanos no país.
PARTICIPE DE NOSSA COMUNIDADE NO WHATSAPP E FIQUE BEM INFORMADO COM NOTÍCIAS, VAGAS DE EMPREGO, UTILIDADE PÚBLICA… – CLIQUE AQUI
CURTA NOSSAS REDES SOCIAIS: FACEBOOK – INSTAGRAM