O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) investiga uma suposta organização criminosa na Câmara Municipal de Várzea Grande, suspeita de utilizar cartas de renúncia assinadas previamente por vereadores e gravações clandestinas como instrumentos de chantagem e coação política. As informações foram divulgadas pelo site Olhar Direto, em reportagem publicada nesta quarta-feira (21).
Segundo a publicação, a investigação está relacionada à Operação Cathedra Venalis, que apura possíveis irregularidades envolvendo parlamentares do Legislativo municipal. Conforme os elementos reunidos pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o grupo investigado seria liderado pelo presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, e teria atuado para garantir apoio político e manter o controle da Mesa Diretora.
De acordo com as informações divulgadas pelo Olhar Direto, a articulação envolveria a promessa de vantagens financeiras indevidas, com repasses mensais estimados em R$ 10 mil por vereador. Em contrapartida, os parlamentares teriam de manter fidelidade política ao grupo.
A reportagem aponta que vereadores teriam sido induzidos a assinar documentos de renúncia antes de votações de interesse da articulação. Os documentos seriam utilizados como forma de pressão sobre os parlamentares caso mudassem de posicionamento.
Além das cartas, a investigação apura o uso de gravações de reuniões e de supostas entregas de dinheiro sem o conhecimento dos envolvidos. Conforme os elementos mencionados na reportagem, o material poderia ser utilizado para constranger vereadores e pressioná-los a seguir as orientações do grupo.
O site também relata que o vereador Caio Cordeiro afirmou ter sofrido intimidações e ameaças de divulgação de gravações descontextualizadas após se afastar do grupo e iniciar fiscalizações sobre contratos do transporte coletivo municipal.
Segundo a publicação, o parlamentar relatou ainda o furto de uma mochila que continha documentos e um notebook pessoal. Posteriormente, teria recebido mensagens anônimas exigindo que recuasse das apurações, acompanhadas de uma imagem de arma de fogo.
A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Conforme as informações divulgadas, entre os alvos estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá.
Os materiais apreendidos, incluindo celulares e computadores, deverão ser submetidos à análise para auxiliar no esclarecimento dos fatos. A investigação busca reunir elementos que possam fundamentar as medidas posteriores do Ministério Público.
As informações sobre as suspeitas foram divulgadas pelo site Olhar Direto e fazem parte de uma investigação em andamento. As acusações deverão ser apuradas pelas autoridades competentes, respeitando-se o direito à defesa e a presunção de inocência dos investigados.