A cadeira da Secretaria Municipal de Governo de Nobres ganhou novo ocupante. Desde o dia 9 de outubro, o procurador municipal, Dr. Paulo Roberto, assumiu interinamente a pasta, substituindo Amilton Barreto. E, pelo tamanho do abacaxi que recebeu, parece que o novo secretário vai precisar de mais do que conhecimento jurídico para dar conta do recado: vai precisar de jogo de cintura, paciência e, quem sabe, alguns milagres políticos.
A missão número um é tentar reconstruir a ponte entre Prefeitura e Câmara Municipal, uma relação que, nos últimos três meses, parece ter entrado em manutenção sem previsão de entrega. O diálogo entre os dois poderes anda tão complicado que nenhum projeto está entrando em pauta para votação. Se depender da temperatura política dos últimos tempos, até conversa de elevador entre Executivo e Legislativo deve estar exigindo articulação prévia.
Mas Paulo Roberto não foi chamado apenas para servir cafezinho, distribuir sorrisos, fazer reuniões e dizer que está tudo bem. A missão é destravar a relação institucional e fazer a engrenagem política voltar a funcionar. Afinal, prefeitura sem diálogo com a Câmara é como carro sem combustível: pode até ter motorista, mas não sai do lugar.
Só que o verdadeiro teste de fogo pode estar em outro endereço: na disputa pela presidência da Câmara.
Nos bastidores, circulam rumores de que uma das tarefas mais delicadas atribuídas ao novo secretário seria tentar reverter o cenário político e buscar apoio para uma mudança na composição de forças que envolve a presidência do Legislativo.
E aqui começa a parte mais apimentada desta história!
Esta coluna ouviu alguns parlamentares sobre os rumores. A resposta, em linhas gerais, foi de que palavra dada não volta atrás e de que permanecem firmes no compromisso assumido com o Dr. Emerson.
Traduzindo do bom e velho político para o português claro: se alguém imaginou que bastaria trocar o secretário para mudar os votos, talvez tenha subestimado a memória dos vereadores. Na política, uma conversa pode até abrir portas, mas uma promessa, quando levada a sério, costuma ter fechadura reforçada.
É claro que, em política, ninguém deve confundir silêncio com concordância, nem conversa de bastidor com resultado de votação. Até porque, entre um aperto de mão e uma sessão legislativa, muita coisa pode acontecer. Mas, pelo que esta coluna ouviu, há parlamentares que não parecem dispostos a mudar de rumo tão facilmente.
Agora, fica a pergunta que vale ouro nos corredores do poder: Paulo Roberto foi escalado para pacificar a relação entre Prefeitura e Câmara ou também terá de enfrentar a ingrata missão de convencer quem já disse que não muda de lado?
Uma coisa é certa: o novo secretário assume uma pasta estratégica em um momento delicado. Se conseguir restabelecer o diálogo, já terá feito um trabalho importante. Se também conseguir alterar o tabuleiro da presidência, aí não será apenas secretário interino: poderá reivindicar uma cadeira no departamento de milagres da política nobrense.
Por enquanto, o placar segue indefinido, os bastidores continuam fervendo e a palavra dos parlamentares está na mesa.
Fatos e Boatos continuará de olho. Porque, em Nobres, às vezes a notícia não está no projeto que entra em votação, mas justamente naquele que ninguém consegue colocar em pauta.
E, como diz o velho ditado dos bastidores: trocar o interlocutor é fácil; difícil é convencer quem já fechou questão!