O Amazonas registrou 2.258 focos de queimadas em outubro, uma redução de 39,4% em comparação com setembro, quando foram contabilizados 3.726 registros. Apesar da queda, a fumaça ainda preocupa moradores de diferentes regiões do estado, onde a qualidade do ar permanece comprometida.
Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No acumulado de 2026, o Amazonas soma 8.515 focos de calor e ocupa a sexta posição entre os estados brasileiros com mais registros. Somente entre quinta-feira (29) e sexta-feira (30), os satélites identificaram 30 novos focos.
A redução das queimadas, no entanto, ainda não foi suficiente para melhorar a qualidade do ar em todos os municípios. Segundo a Defesa Civil do Amazonas, Parintins apresenta a situação mais crítica, com qualidade do ar classificada como péssima.
Outras sete cidades estão com a qualidade do ar considerada muito ruim: Barreirinha, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Maués, São Sebastião do Uatumã e Silves.
Já em Autazes, Boca do Acre, Manaus, Nova Olinda do Norte e Urucurituba, a classificação é ruim.
Fumaça e umidade podem explicar névoa em Manaus
Em Manaus, a redução da visibilidade observada neste sábado (31) pode estar relacionada à combinação entre a fumaça das queimadas e a umidade do ar.
Monitoramentos apontam concentrações elevadas de partículas finas, conhecidas como PM2,5, em diferentes pontos da capital. Essas partículas podem penetrar profundamente nos pulmões e representar riscos à saúde.

Segundo a meteorologista Andrea Ramos, as chuvas registradas na sexta-feira (30) aumentaram a umidade atmosférica, favorecendo a formação de névoa úmida ou neblina durante a madrugada e o início da manhã.
A especialista explica que a aparência esbranquiçada sobre a cidade pode ser resultado da mistura entre gotículas de água e partículas de fumaça. Enquanto a neblina é formada principalmente pela umidade, a fumaça contém partículas e gases liberados pela combustão, que prejudicam a qualidade do ar.
Fiscalização aplica R$ 8,5 milhões em multas
Em meio ao cenário de queimadas, ações de fiscalização ambiental resultaram em R$ 8,5 milhões em multas e no embargo de 916,03 hectares no Amazonas.
O balanço é do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que realizou a 13ª etapa da Operação Tamoiotatá 6 entre os dias 9 e 28 de outubro.
As equipes percorreram os municípios de Borba, Careiro, Careiro da Várzea, Beruri, Manaquiri e Autazes. Entre as irregularidades identificadas estão desmatamento sem autorização, queimadas ilegais, danos à vegetação nativa e descumprimento de embargos ambientais.
As fiscalizações ocorreram durante a vigência do Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, que proíbe o uso do fogo no Amazonas por 120 dias.
Mesmo com a redução dos focos em outubro, os dados de qualidade do ar mostram que os efeitos das queimadas continuam sendo sentidos pela população.
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