O vereador Sardinha (MDB) foi aplaudido de pé na Câmara Municipal após um discurso emocionado em que fez questão de agradecer aos colegas, pedir desculpas às servidoras do Legislativo e reafirmar sua integridade diante de boatos e acusações que circularam contra ele. Em tom de humildade, o parlamentar assumiu erros, defendeu sua trajetória de vida e destacou valores de respeito, fé e família.
Logo no início da fala, Sardinha fez questão de cumprimentar os colegas parlamentares, servidores e a sociedade presente, lembrando o apoio recebido da Mesa Diretora e, em especial, do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), a quem parabenizou pela postura firme em defesa da verdade. “Se não fosse essa movimentação, este vereador que ora vos fala estaria enrolado, porque o poder da mídia é muito grande. Voltada para o bem, é uma bênção; voltada para o mal, é uma desgraça que acaba com qualquer ser humano”, disse.
O vereador também aproveitou a oportunidade para pedir desculpas às mulheres que atuam na Casa, citando nominalmente sua chefe de gabinete, Alice, e reconhecendo a pressão que as servidoras sofreram com a repercussão do episódio. “Assumo que houve uma discussão com minha esposa dentro do gabinete. Todo casal que vive junto já passou por isso. Mas traição, de hipótese alguma. Até porque eu sou cristão, respeito a família e nunca faltei com respeito a nenhuma mulher nesta Casa de Leis”, afirmou.
Trajetória e valores pessoais
No pronunciamento, Sardinha fez questão de resgatar sua história de vida, revelando pela primeira vez ao plenário o significado de seu apelido, que carrega com orgulho. Ele contou que, ainda criança, após encontrar uma caixa de sardinha em um acidente, levou o alimento para casa, mas foi orientado por sua mãe a devolver, aprendendo desde cedo a lição de que nada deve ser levado sem ser conquistado. “Esse apelido, eu carrego com carinho, porque veio de uma lição de justiça e honestidade que minha mãe me ensinou”, relatou.
O parlamentar também destacou seus 17 anos de trajetória na Polícia Militar, período que, segundo ele, moldou sua disciplina e respeito ao próximo. Ressaltou que sempre tratou colegas e servidores com dignidade, sem jamais ultrapassar os limites da convivência profissional.
Defesa da honra
Em sua fala, o vereador rebateu publicamente boatos divulgados por sites locais, que apontavam supostos envolvimentos e até danos ao gabinete. Sardinha apresentou relatórios oficiais que desmentem tais versões. “Disseram que houve quebra no meu gabinete. Mas no dia anterior eu havia recebido o espaço em perfeitas condições, e no dia seguinte foi atestada a mesma situação. Mentira”, rebateu.
Para reforçar sua transparência, Sardinha anunciou que pediu afastamento temporário da Comissão de Ética, da qual faz parte, até que todos os fatos sejam devidamente apurados. “Não acho digno ser investigado ocupando um cargo na comissão. Quero ser investigado de forma limpa e justa, para depois retornar de cabeça erguida”, destacou.
Fé e superação
Durante o discurso, o vereador revelou ter passado dois dias isolado em oração, buscando força espiritual para enfrentar o momento. “Eu fiquei dois dias no mato, conversando com aquele que manda na minha vida, o redator-chefe da minha história. Quem fala do coração fala a verdade. E foi isso que eu trouxe hoje”, afirmou, sendo aplaudido pelos presentes.
Ele ainda agradeceu aos colegas que se solidarizaram, como a vereadora Rosy Prado (UB) e o vereador Alessandro, cuja fala de apoio foi considerada fundamental. “O senhor me disse: ‘Não é no momento de desgraça do seu adversário que se sobe sobre ele, mas sim nas suas conquistas’. Essas palavras me deram força”, recordou.
Encerramento em tom de perdão
Ao final, Sardinha reforçou seu pedido de desculpas às servidoras da Câmara e à própria esposa, frisando que todo casal enfrenta momentos de divergência, mas que o respeito e o amor prevalecem. “Minha esposa muitas vezes me corrige com firmeza, e sou grato por isso. Lá em casa, a última palavra é minha: ela manda e eu obedeço”, disse, em tom bem-humorado, arrancando risos do plenário.
O vereador concluiu reafirmando sua fé e confiança na justiça divina. “Jesus é amor, mas também é justiça. E ela já está aparecendo. Entrei aqui de cabeça erguida porque meu Deus já me julgou. Deixo que a sociedade faça a sua análise, mas sigo firme, porque minha consciência está limpa”, declarou, encerrando sob aplausos calorosos.