A sessão desta terça-feira (18) na Câmara Municipal de Várzea Grande foi marcada por um duro embate entre o presidente da Casa, Wanderley Cerqueira, e o líder da prefeita Flávia Moretti, vereador Bruno Rios, durante a discussão e votação da denúncia sobre o uso do slogan da gestão nos uniformes escolares.
Bruno Rios, que é advogado e ocupa a liderança do governo, alegou diversas vezes que não teve acesso ao processo, apesar de o documento já ter sido protocolado, divulgado na imprensa e disponibilizado no sistema da Câmara.
O vereador afirmava que não conhecia totalmente o conteúdo e que, por isso, não seria possível votar naquele momento.
Durante sua fala, Bruno chegou a questionar o procedimento:
“Presidente, eu não tive acesso. Eu preciso ler para ter uma expressão de voto mais assertiva. Não é tempo suficiente para votar uma denúncia tão séria”, disse, solicitando vistas do processo.
O presidente Wanderley Cerqueira, porém, contestou as afirmações e deixou claro que o regimento interno estava sendo seguido rigorosamente.
Ele lembrou que a denúncia foi protocolada na Ouvidoria da Câmara, lida oficialmente em plenário, amplamente divulgada e disponibilizada aos vereadores.
Presidentre rebate: “E esse processo, até a imprensa já divulgou essa denúncia.”
Cerqueira não escondeu a irritação com as tentativas do líder da prefeita de barrar o andamento:
“Vereador, o senhor está confundindo os procedimentos. O processo foi lido, está no sistema e foi protocolado corretamente. Estamos seguindo o artigo 85. O senhor alega desconhecimento, mas a denúncia está disponível a todos”, afirmou.
Nos bastidores, vereadores chegaram a comentar que Bruno estava “perdido no processo”, demonstrando falta de domínio do rito legislativo situação que ficou evidente diante do próprio pedido dele para que a base rejeitasse a denúncia por falta de tempo para leitura, mesmo após a leitura oficial em plenário e divulgação pública.
O presidente ainda reforçou:
“Estamos dentro do que determina o regimento. Não cabe suspender votação porque o senhor não procurou o processo antes”.
Apesar da tentativa de Bruno Rios de orientar a base governista a votar contra o recebimento, alegando “não conhecimento” da denúncia, o plenário rejeitou sua recomendação.
A denúncia foi aprovada por 17 votos e a Câmara decidiu pela abertura da CPI.
O embate expôs um desgaste na articulação governista dentro da Casa e evidenciou um momento de isolamento político do líder da prefeita, que não conseguiu impedir o andamento do processo nem convencer a base a votar com ele.