A Justiça Federal tornou público, na quarta-feira (19), o laudo pericial elaborado pela Polícia Federal no processo que investiga a antiga administração da Unimed Cuiabá, comandada por Rubens de Oliveira. A defesa tentou manter o documento sob sigilo, mas o juiz responsável entendeu que as conclusões têm relevância institucional e impacto direto sobre os médicos cooperados.
O material confirma a denúncia apresentada pela atual diretoria, hoje presidida por Carlos Bouret, sobre irregularidades no balanço financeiro de 2022. Ao assumir a gestão no ano seguinte, a equipe identificou inconsistências e contratou uma auditoria externa independente, que revisou completamente os números.
De acordo com o laudo, o balanço exibido pela gestão de Rubens apresentava um suposto superávit de R$ 371 mil. No entanto, após a reavaliação, verificou-se que o resultado correto era um déficit de aproximadamente R$ 400 milhões. O demonstrativo corrigido foi reapresentado aos cooperados e aprovado em Assembleia Geral Extraordinária.
Os peritos da PF apontam que o documento original continha omissão de despesas, criação de receitas que não existiam, subavaliação de passivos, manipulação de provisões técnicas e até registro de estoques inexistentes ou vencidos. A conclusão da perícia é que as distorções foram utilizadas para mascarar um prejuízo expressivo, convertendo-o em um resultado aparentemente positivo.
O relatório também destaca que a apresentação do falso superávit teria finalidade eleitoral, já que a antiga diretoria buscava se manter no comando. Mesmo assim, Rubens acabou derrotado na disputa interna para Carlos Bouret.
Com o levantamento do sigilo, o conteúdo passa a ser acessível aos cooperados e ao público, reforçando a transparência do processo judicial e evidenciando a gravidade das irregularidades apontadas.