Durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (30), a Polícia Civil apresentou novos detalhes sobre a prisão de Mariane Mara das Silva, de 36 anos, cunhada de Estefane Pereira Soares, de 17 anos, assassinada em Cuiabá.
Mariane é mulher de Marcos Pereira Soares, irmão de Estefane, e principal suspeito do crime. Ela foi presa na última quinta-feira (26) e também se tornou suspeita, após uma série de contradições nos depoimentos.
“Durante a acareação, um acusou o outro. Cada um tenta se eximir da própria culpa imputando a autoria ao outro”, afirmou a delegada responsável pelo caso, Jéssica Assis.
Ainda segundo a delegada, o comportamento da suspeita após o crime também levantou suspeitas. “Ela tentou interferir muito no andamento das investigações, e isso nos chamou a atenção, bem como a postura dela e do outro investigado no dia seguinte ao crime, quando parecia que estavam em conluio”, destacou.
As investigações apontam ainda que a mulher esteve nas proximidades do local do crime, apesar de alegar que havia se afastado. Testemunhas e diligências reforçaram essa linha de apuração.
O laudo pericial confirmou que Stephanie foi morta por estrangulamento, utilizando uma peça de roupa que, segundo a polícia, pertence à investigada. O corpo foi encontrado em um lago nos fundos da residência do casal, com uma pedra de grande porte sobre ele.
“Há indícios muito fortes da participação dela, inclusive pela dinâmica do crime, que não poderia ter sido executado por apenas uma pessoa”, afirmou a delegada.
Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido cometido em conjunto pelo irmão da vítima e a companheira. A suspeita segue presa temporariamente, e o inquérito deve ser concluído em até 60 dias.
Depoimento após o crime
Mariane foi ouvida pela Polícia Civil no dia 12 de março, um dia após o corpo de Estefane ser encontrado. No depoimento, ela afirmou que Marcos insistiu para que o casal mudasse de endereço após ele deixar a prisão, alegando que temia ser recapturado por conta de um suposto erro judicial.
Na ocasião, a mulher relatou ainda que o companheiro havia sido solto dias antes do crime que vitimou a irmã e demonstrava preocupação em voltar para a cadeia, o que motivou a mudança de casa. Ela também negou qualquer envolvimento no crime e apresentou sua versão sobre os fatos durante o interrogatório.
Com o avanço das investigações, no entanto, novos elementos passaram a apontar possível participação de Mariane na morte da adolescente. Diante dos indícios, a Polícia Civil representou pela prisão temporária, que foi autorizada pela Justiça e cumprida na última quinta-feira (26).
Relembre o caso
Marcos Pereira Soares, de 23 anos, foi detido suspeito pelo feminicídio da própria irmã, uma semana após deixar a prisão em Cuiabá. Estefane Pereira Soares, de 17 anos, foi encontrada morta, nua e com uma pedra grande sobre as costas, nas imediações de um córrego, em Cuiabá.
A adolescente estava desaparecida desde o dia anterior. Familiares informaram que a última vez que a garota foi vista foi com o irmão.
Na ocasião, Marcos Pereira Soares foi preso em flagrante, suspeito de feminicídio. Ele também é investigado por possível estupro. Laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) deve ser concluído nos próximos dias para detalhar as lesões e se houve abuso sexual.
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