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“Fui pago para trabalhar, não para agradar ninguém”, dispara Franco após saída demissão no Sinop » Esportes & Notícias

A saída de Franco Muller do comando do Sinop segue repercutindo nos bastidores do futebol mato-grossense. O desligamento do treinador aconteceu justamente no melhor momento da equipe na temporada, às vésperas da decisão que pode recolocar o clube na elite do Campeonato Mato-grossense.

Invicto após cinco partidas, com quatro vitórias e um empate, Franco deixou o time na liderança da primeira fase da Segunda Divisão e em vantagem na semifinal após vencer o Santa Cruz de Barra do Bugres por 1 a 0 fora de casa.

A decisão da diretoria surpreendeu torcedores e pessoas ligadas ao clube, principalmente pelo desempenho apresentado dentro de campo e pela proximidade do acesso. Após o anúncio oficial do desligamento, o agora ex-técnico do Sinop, Franco Muller, concedeu entrevista exclusiva ao Esportes e Notícias e falou abertamente sobre os bastidores de sua saída. Segundo ele, havia insatisfação de parte da diretoria e também de alguns jogadores em relação ao seu perfil de trabalho e às cobranças feitas diariamente no elenco.

Franco afirmou que recebeu a notícia do desligamento de maneira direta e revelou que também já vinha acumulando incômodos internos durante sua passagem pelo clube. “Foi me chamado que não estavam gostando, que jogador, que direção. Eu também não estava gostando de umas situações. E aí me falaram que eu estava fora. Por mim, tudo ok, faz parte”, declarou.

Mesmo diante da saída repentina, o treinador fez questão de destacar o comprometimento do grupo e afirmou que encontrou um ambiente positivo desde sua chegada ao Sinop. Segundo ele, o desempenho da equipe foi construído com muito trabalho, mesmo com o curto período de preparação antes do início da competição. “Desde a minha chegada era muito tranquilo o trabalho do dia a dia, a estrutura era boa. Os jogadores, com pouca pré-temporada, trabalharam pra caramba e a gente começou bem. Tivemos um desempenho bom pela entrega dos caras”, afirmou.

Durante a entrevista, Franco Muller também rebateu possíveis críticas sobre relacionamento interno e deixou claro que nunca teve como prioridade agradar dirigentes ou atletas, mas sim executar o trabalho da maneira que considera correta. “Jogador não tem que gostar, como eu não tenho que gostar de muita coisa. Eu não fui lá para fazer clube de amigo, nem para fazer média para ninguém. Eu fui pago para trabalhar, não para agradar ninguém”, disparou.

O treinador ainda utilizou os números da campanha como argumento para defender o trabalho realizado no clube. Além de permanecer invicto, o Sinop apresentou saldo positivo de gols e desempenho consistente durante a competição. “Eu saí sem derrota. Temos mais gols feitos do que sofridos. Dificilmente tivemos um jogo que fomos mal. Na maioria dos jogos a gente comandou, tirando o primeiro jogo que foi muito parelho”, ressaltou.

Franco também comentou sobre a relação com o elenco e admitiu que alguns atletas demonstravam desconforto com determinadas cobranças feitas pela comissão técnica, embora, segundo ele, o grupo mantivesse o comprometimento nos treinamentos e jogos. “Muitos jogadores era nítido que não gostavam de algumas cobranças, mas trabalhavam no dia a dia. Até porque eu também não gostava de várias atitudes de jogadores, e nem por isso fui ficar reclamando”, disse.

Apesar das divergências internas, o treinador afirmou que deixa o clube com a sensação de dever cumprido e reforçou que não pretende mudar sua postura profissional ao longo da carreira. “Sempre saí de vários clubes e não vou mudar minha ideia de trabalho. Tem que dar uma adaptada aqui e ali, mas o clube também tem que se adaptar. É um direito deles. Eles seguem a vida deles e eu sigo a minha. Vida que segue”, concluiu.

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