A gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) segue gerando polêmicas, especialmente no que diz respeito à distribuição e aplicação do orçamento municipal. O presidente da Câmara Municipal, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), fez duras críticas à administração da prefeita, apontando falhas significativas no planejamento e execução de investimentos essenciais para a cidade.
De acordo com Cerqueira, a Secretaria de Obras, que possui um orçamento de R$ 238 milhões, tem sido alvo de um remanejamento de recursos que coloca em risco a infraestrutura. “Acredito que a Secretaria de Obras tem um orçamento de 238 milhões, mas até agora não gastaram nem R$ 35 milhões. O que aconteceu foi um remanejamento de mais de R$ 100 milhões da secretaria, e por isso vemos a cidade cheia de buracos e sem infraestrutura adequada”, afirmou o vereador, durante entrevista ao jornalista Daniel Costa.
A situação é ainda mais preocupante quando se observa a falta de investimentos em áreas essenciais como o DAE (Departamento de Água e Esgoto) e a própria Secretaria de Obras. Para Cerqueira, a prefeita Flávia Moretti tem priorizado outras áreas em detrimento de serviços básicos para a população. “Ela não investe no DAE, não investe na Secretaria de Obras. Na saúde, ela até investiu 35%, mas na educação, que deveria ter 25% do orçamento de receita própria, ela investiu apenas 12%”, declarou.
Cerqueira destacou ainda que a Câmara Municipal tem sido uma parceira da prefeita em algumas questões, como no caso dos R$ 13 milhões gastos com uniformes escolares. Ele explicou que, para ajudar a prefeita a cumprir a exigência constitucional de investir 25% do orçamento em educação, esse valor será contabilizado nos 25% da educação. “Estamos ajudando, mas sinceramente, não sei como ela vai encontrar os R$ 25 milhões necessários para investir em educação, sendo que nem o décimo terceiro salário foi pago ainda”, criticou.
Outro ponto abordado pelo vereador foi o gerenciamento dos recursos da saúde, que, segundo ele, são fruto de um remanejamento contínuo. “Na saúde, tem dinheiro, mas é remanejamento. Já foi dado 20%, ou cerca de R$ 380 milhões, de remanejamento, e agora estão propondo mais R$ 140 a 150 milhões. Estamos estudando com muita técnica, pois a população merece saber para onde foi esse dinheiro”, afirmou.
Cerqueira, que é contador de formação, está liderando uma investigação sobre os valores remanejados e entrou com um requerimento na Câmara solicitando informações detalhadas sobre a destinação desses recursos. “Já pedi informações para saber onde foi esse dinheiro. Porque, na obra e no DAE, não foi. Agora, a grande pergunta é: onde foi esse dinheiro? Estamos aguardando uma resposta”, concluiu.
A situação atual levanta sérias questões sobre a transparência e a prioridade dos investimentos da gestão Flávia Moretti. Enquanto a cidade sofre com a falta de infraestrutura, a administração municipal parece priorizar outras áreas e remanejar recursos sem uma explicação clara para a população.