Uma advogada foi presa nesta quinta-feira (26), durante a Operação Iter Mali, deflagrada pela Polícia Civil em Cuiabá e Várzea Grande, contra um grupo criminoso envolvido em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A prisão da advogada foi acompanhada por representantes do grupo de prerrogativas da inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), segundo a polícia. Ela seria companheira de um dos principais criminosos investigados e que já responde a inquérito policial por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Segundo o delegado Marcelo Miranda Muniz, responsável pela investigação, a advogada não se limitava à prestação de serviços jurídicos, mas agia ativamente na contabilidade do grupo e, inclusive, em processos judiciais nos quais defendia outros integrantes.
Durante uma ação policial anterior à essa operação, uma pistola calibre 9 mm foi apreendida na casa da advogada, além de um carregador com 25 munições, um cofre com mais de R$ 10,7 mil em espécie, valor que seria da venda de entorpecentes.
O delegado explicou também que a rede de crime era estruturada e tinha papéis definidos distribuídos para cada membro, enquanto o líder era responsável pelo fornecimento das drogas. Um operador era encarregado do fracionamento, embalagem e distribuição, e outro envolvido é suspeito de usar contas de terceiros para movimentar o dinheiro do tráfico.
Nas conversas, os criminosos usavam termos codificados para falar sobre as vendas dos entorpecentes.
A advogada fazia parte ativamente dessa estrutura de organização do grupo, segundo o delegado. Entenda abaixo como funcionava o esquema:
Estrutura do grupo criminoso
Liderança
Responsável por adquirir as drogas, definir quantidades e organizar toda a logística de distribuição entre os integrantes.
Operação
Fazia o fracionamento, embalagem e entrega das drogas aos pontos de venda, atuando como elo entre liderança e vendedores.
Pontos de venda
Responsáveis pela comercialização direta das substâncias ao consumidor final.
Financeiro/Jurídico
Advogada investigada utilizava contas de terceiros, transferências via PIX e outros mecanismos para movimentar valores do tráfico, dificultando o rastreamento e indicando lavagem de dinheiro.
🔎 Divisão de funções
Fornecimento e comando
Controle da aquisição das drogas e definição da estratégia de distribuição dentro do grupo.
Logística e distribuição
Organização do preparo das substâncias e repasse para os pontos de venda.
Comercialização
Venda direta ao consumidor final em diferentes pontos.
Lavagem de dinheiro
Movimentação de valores por meio de terceiros e transações eletrônicas para dificultar o rastreamento.
Arte: Primeira Página
Fonte: PJC-MT
Ao Primeira Página, a OAB-MT afirmou que acompanhou a ação policial por meio do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) e que o caso será avaliado pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para medidas cabíveis.
A operação
Ao todo, foram 28 mandados, incluindo nove de prisão preventiva, outros nove de busca e apreensão domiciliar, além de 10 bloqueios de contas bancárias e indisponibilidade de valores dos investigados.
As ordens judiciais foram decretadas pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Várzea Grande e cumpridas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram em 2024, após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão que terminou com a apreensão de drogas e dinheiro de tráfico, além da descoberta de uma complexa associação voltada ao narcotráfico.
“Iter Mali” é um termo do latim e significa “o caminho do mal” ou “a rota do crime”. O nome faz referência à estrutura logística identificada pela investigação.
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