Wesley Moreno/Power Mix
Nova Mutum/MT
Em uma época marcada por viagens em busca de lazer, trabalho ou oportunidades, duas jovens americanas fizeram o caminho inverso. Elas deixaram suas casas nos Estados Unidos e, no caso de uma delas, também o Canadá, para viver uma missão voluntária em Nova Mutum, no interior de Mato Grosso. O detalhe que mais surpreende quem conhece a história é que elas não recebem salário: ao contrário, pagam para estar no Brasil durante aproximadamente 18 meses, movidas por um propósito religioso.
As missionárias pertencem à Missão Brasil Cuiabá, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que abrange Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em entrevista, Sister Hatch, de 20 anos, e Sister Jex, de 19, contaram por que decidiram atravessar fronteiras para servir a Deus e às pessoas.
“Tudo isso é voluntário. Nós não recebemos dinheiro; na verdade, nós pagamos para estar aqui”, resume Sister Hatch.
Uma decisão que começou muito antes da viagem
Natural de Houston, no Texas, Sister Hatch mudou-se para Vancouver, no Canadá, apenas dois meses antes de iniciar sua missão. Ela chegou ao Brasil em setembro de 2025 e está em Nova Mutum desde 9 de julho de 2026.
Segundo ela, o desejo de servir surgiu ainda na infância.
“Quando eu era mais jovem, sempre quis servir a Deus para ajudar outras pessoas a conhecerem a verdade. Eu também queria conhecer outro país e aprender outro idioma, mas esse nunca foi o principal motivo. O meu propósito é ajudar as pessoas a chegarem a Cristo”, afirma.
Já Sister Jex é natural de Utah e chegou ao Brasil em junho deste ano. Em Nova Mutum, ela também iniciou sua atuação no dia 9 de julho.
“Eu tenho apenas uma semana no campo da missão, mas fiquei muito animada quando recebi meu chamado para o Brasil Missão Cuiabá”, conta.
O que elas encontraram em Nova Mutum
Apesar do pouco tempo na cidade, as duas descrevem uma impressão semelhante: a de um povo acolhedor, religioso e disposto a ajudar.
“As pessoas aqui são muito simpáticas e estão sempre dispostas a nos ajudar. A maioria acredita em Deus e em Jesus Cristo”, diz Sister Jex.
Ela também se encantou por aspectos simples do cotidiano mato-grossense.
“As pessoas gostam muito de comer, e eu também. Existe uma cultura de sentar na frente de casa à tarde para tomar tereré. Eu amo tereré”, afirma, sorrindo.
Sister Hatch observa diferenças culturais que chamaram sua atenção desde que chegou ao estado.
“A cultura aqui é muito aberta, especialmente em Mato Grosso. O almoço é algo muito importante, e existe uma alegria muito grande em eventos como a Copa do Mundo e as festas de São João. Também percebi que as pessoas trabalham bastante e valorizam muito a família”, relata.
Segundo ela, a receptividade facilita o trabalho missionário.
“Nosso trabalho é ajudar as pessoas a se aproximarem de Cristo. É muito bom conversar com pessoas que estão abertas e dispostas a ouvir.”
O que elas levarão de volta para casa
Quando a missão terminar, ambas pretendem retornar ao seu país de origem. Na bagagem, dizem que levarão mais do que lembranças e fotografias.
“Vou levar tereré, Havaianas, presentes para minha família, minhas escrituras, um amor por esse povo, um testemunho muito forte e um conhecimento do idioma”, afirma Sister Jex.
Sister Hatch faz uma reflexão semelhante.
“Vou levar algumas lembranças do Brasil, especialmente o tereré, mas o principal será um testemunho muito forte sobre meu Salvador. Eu sei que Ele vive e que Deus ainda fala conosco. Essa experiência fortaleceu minha fé e minha determinação de continuar nesse caminho.”
A saudade existe, mas o propósito fala mais alto
Longe da família e dos amigos, elas admitem que a distância poderia ser um peso. No entanto, dizem que o trabalho diário ameniza a saudade.
“Eu não sinto muita saudade porque sei que essa missão também vai ajudar minha família. A missão muda vidas”, afirma Sister Jex.
Para Sister Hatch, o segredo está em manter o foco no serviço.
“Nós trabalhamos bastante, então não temos muito tempo para sentir saudade. Quando ela aparece, eu procuro focar nas outras pessoas, e Deus ajuda a lidar com isso.”
Uma história de fé em terras mato-grossenses
Em Nova Mutum, onde chegaram há poucos dias, Sister Hatch e Sister Jex ainda estão descobrindo ruas, bairros, costumes e pessoas. Mas já carregam a convicção de que a missão que as trouxe ao Brasil não foi motivada pelo turismo, pelo idioma ou pela aventura.
Foi, segundo elas, uma escolha de fé.
“Nosso propósito não é conhecer outro país. Nosso propósito é servir a Deus e ajudar outras pessoas”, resume Sister Hatch.
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