O governo brasileiro confirmou, neste sábado (27), o envio de um quarto voo humanitário para a Venezuela, em apoio às operações de busca e resgate após os dois terremotos que atingiram o país nessa quarta-feira (24), deixando um rastro de destruição e vítimas fatais em cidades como Caracas.
No momento, o número de mortos pelo desastre ultrapassa 1,4 mil pessoas, enquanto os feridos e desabrigados ultrapassam 6,1 mil.
A quarta aeronave brasileira deve partir na tarde deste domingo (28) da Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo, com 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Os profissionais vão reforçar as equipes brasileiras que já atuam principalmente no município de Vargas, no estado de La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelos tremores.
Segundo o governo, a missão humanitária brasileira iniciou neste sábado (27), quando a equipe coordenada pelo diretor de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun, pousou no país venezuelano.
Mesmo diante de dificuldades logísticas, os brasileiros resgataram ao menos duas pessoas com vida e atuam no resgate de uma criança sob os escombros, de acordo com o comunicado. As operações seguem em andamento.
O segundo voo partiu neste sábado (27), às 11h50, da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, com hospital de campanha e purificadores de água. A chegada prevista era para as 22h, no horário de Brasília.
Já o terceiro voo decolou também no sábado, às 17h45, com kits de medicamentos e módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha. A previsão de chegada era às 22h40, no horário de Brasília.
A operação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.
Terremotos e mortes na Venezuela
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, seguidos de cerca de 20 réplicas, provocaram desabamentos de edifícios em Caracas e em outras cidades venezuelanas nessa semana.
Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição pelo país. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
Diante da gravidade da situação, as autoridades venezuelanas decretaram estado de emergência nacional e fizeram um apelo à comunidade internacional por assistência humanitária.
Ainda nessa quinta-feira (25), o número de pessoas mortas pelo desastre era de 589. O país, agora, entra em seu terceiro dia de buscas por sobreviventes ou corpos em meio aos escombros.
O novo balanço, divulgado neste sábado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, mostra que o número de vítimas fatais mais que dobrou em dois dias.
A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) avaliam que o número de vítimas possa ser bem maior, levando em conta a força do terremoto, a falta de estrutura e as áreas densamente populosas que foram atingidas.
Estimativas da Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU apontam que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos tremores.
Brasileiros entre vítimas
A modelo brasiliense Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, está entre as vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24). A informação foi divulgada por familiares nas redes sociais nessa sexta-feira (26).
Segundo o irmão dela, Thiago Nogueira, Vanessa estava em La Guaira, cidade costeira localizada a cerca de 25 km de Caracas e uma das regiões mais atingidas pelos tremores, no momento da tragédia.

O pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, foi identificado como a segunda vítima brasileira dos terremotos que devastaram o país venezuelano. Natural de Minas Gerais e morador de Uberlândia há mais de dez anos, ele morreu depois que uma parede desabou sobre ele e a esposa enquanto tentavam fugir dos tremores.
A morte foi confirmada pela esposa, Carlha Nacarid, à família. A informação foi repassada à imprensa pela sobrinha de Romildo, Jhulya Ribeiro de Lima, que contou como aconteceu a tragédia.

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