A Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afastou das funções o cabo da Polícia Militar que chutou uma adolescente no carnaval de Campo Grande. O caso ocorreu na madrugada de quarta-feira (18), último dia de folia na cidade.
De acordo com o secretário de segurança pública, Antonio Carlos Videira, um inquérito policial militar foi aberto para apurar o caso e a conduta do agente. O prazo inicial para conclusão das investigações é de 30 dias.
“O policial, que até então tinha um comportamento classificado como excepcional, adotou uma conduta totalmente contrária às doutrinas policiais e à doutrina operacional. Estão sendo ouvidos outros policiais que estavam nessa equipe, ele próprio, e também a Polícia Militar apura o que levou o policial a um nível de estresse tamanho que o fez agir de forma totalmente contrária à postura que a Polícia Militar adota. Além disso, está sendo avaliada a jornada: quanto tempo ele estava no trabalho, se estava no início da jornada, se vinha de uma jornada extraordinária ou de outra jornada extraordinária que tenha elevado o seu nível de estresse a ponto de adotar aquela conduta totalmente desproporcional”, afirmou Videira.
A reportagem entrevistou a vítima, que alegou ter machucado um dos braços após a agressão. (veja o vídeo abaixo)
“Eu estava com minha irmã e uma amiga. Aí eu discuti com essa amiga. Foi na hora em que a gente estava indo embora que vieram os policiais, batendo na gente com cassetete. Um policial mandou que eu e minha irmã virássemos. Quando a gente virou, ele me deu uma bicuda e eu caí. Eu só voei. Só não bati a cabeça porque consegui cair sobre o braço. Na hora em que eu estava ali, chorando de dor, só fiquei ali. Foi muito desnecessário da parte dele”, disse a adolescente.
Dados da Sejusp mostram que, somente em 2026, 12 pessoas morreram em confrontos com a polícia. O número é menor se comparado com o mesmo período de 2025, quando foram 17 mortes.
“Nós tivemos, em Mato Grosso do Sul, uma redução muito grande nas mortes. O Estado, geograficamente, está posicionado na fronteira com o Paraguai, uma das mais importantes rotas do tráfico de drogas, além de contrabando, descaminho e outros crimes transfronteiriços. As facções que atuam não só no país, mas também na América Latina, têm disputado nossas divisas para escoar não apenas cocaína, maconha e outros produtos. Essa disputa por território tem trazido a Mato Grosso do Sul pessoas que vêm com a missão de eliminar adversários. Essas pessoas, por meio do serviço de inteligência, não só de Mato Grosso do Sul, mas também de outros estados, são identificadas, e a polícia vai até elas para efetuar as capturas. Muitas vezes, elas acabam reagindo, e a Polícia Militar precisa intervir para afastar a injusta agressão contra o policial que está atuando”, destacou o secretário de Justiça e Segurança Pública.