As investigações da Operação Conluio Pantaneiro, deflagrada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (20), revelaram um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 54 milhões entre 2022 e 2024. Um dos principais pontos identificados é o uso de contas bancárias de esposas dos investigados para ocultar a origem ilícita dos valores.
O homem apontado como líder da organização criminosa, de 49 anos, foi preso em Cáceres e mantinha ligação direta com todos os demais envolvidos. Segundo a apuração, ele era responsável por coordenar as atividades do grupo e realizar os pagamentos pelos serviços criminosos. O veículo utilizado para o transporte de drogas em Poconé, uma Strada, também estava em seu nome.
A esposa dele, de 46 anos, aparece como peça-chave no esquema financeiro. Embora se apresente como empresária e atue em uma sorveteria do casal, as investigações indicam que ela integrava o núcleo de lavagem de dinheiro da organização. Somente entre 2023 e 2024, ela movimentou mais de R$ 2,4 milhões em suas contas, sendo parte desse valor depositado por ela própria. Uma quantia superior a R$ 643 mil não teve origem identificada. Contra ela, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores.
Outro alvo preso nesta sexta-feira (20), em Várzea Grande, foi identificado como “batedor” no transporte de 461 quilos de drogas apreendidos em setembro de 2023, em Poconé, em ação do Grupo Especial de Fronteira (Gefron). A prisão dele, na época, deu origem às investigações. De acordo com a Polícia Civil, o suspeito, de 42 anos, já havia participado de outras ações do grupo e também utilizava a conta da esposa para movimentar dinheiro do tráfico.

A companheira dele, de 33 anos, que atua como manicure e não declarou imposto de renda entre 2022 e 2024, movimentou quase R$ 4 milhões no período. Parte significativa dos valores veio de empresas de fachada com sede em São Paulo. Ela também realizou transferências para integrantes da organização, incluindo o líder do grupo, a esposa dele e o próprio marido. Assim como outros investigados, foi alvo de busca e apreensão e teve bens bloqueados.
As investigações também apontaram o papel de Wagner Gonçalves Neto, de 40 anos, considerado um elo central entre os integrantes da organização criminosa. Ele morreu em setembro de 2023 após confronto com equipes do Gefron. Era por meio dele que diversos investigados mantinham contato e recebiam pagamentos.
Entre os envolvidos está o filho de Wagner, de 22 anos, preso em Cáceres, e o cunhado dele, de 34 anos, detido em Poconé, que auxiliava na logística de recebimento de drogas em uma fazenda onde trabalhava.
Outro casal também foi identificado como parte do esquema. O homem, de 39 anos, atuava como intermediador de pagamentos entre o líder da organização e Wagner, enquanto a esposa recebia valores do grupo em suas contas bancárias. Ao todo, ela movimentou mais de R$ 158 mil oriundos de integrantes da organização criminosa. O suspeito foi preso em Cruzeiro do Oeste, no Paraná.
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão expedidos pela Justiça de Cáceres, sendo três na própria cidade, três em Poconé, dois em Várzea Grande, um em Taubaté (SP) e um em Cruzeiro do Oeste (PR).
Operação Conluio Pantaneiro
A Polícia Civil cumpriu nesta sexta-feira (20), 62 ordens judiciais contra uma facção criminosa que atua nas regiões de fronteira de Mato Grosso e em São Paulo e no Paraná, no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, nesta sexta-feira (20). Segundo a investigação da polícia, o grupo chegou a movimentar R$ 54 milhões.
Na ação foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, 17 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios de valores e sequestro de veículos, expedidos pelas comacas de Cáceres, Cuiabá, Várzea Grande, Poconé, Taubaté (SP) e Cruzeiro do Oeste (PR).
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