A crise enfrentada por bairros de Várzea Grande, marcada pela falta de água e pelo acúmulo de lixo, colocou em xeque a atuação dos vereadores do município, que constitucionalmente têm a função de fiscalizar o Executivo e cobrar soluções para os problemas da população.
Em regiões como Dom Orlando Chaves, Santa Luzia e Cristo Rei, moradores relatam dias e até semanas sem abastecimento de água, além da interrupção na coleta de lixo. Para a população, o silêncio do Legislativo diante do cenário reforça a sensação de abandono.
“Os vereadores também têm parcela de culpa, porque são fiscais do município e não fazem a função deles, que é fiscalizar e vir até as comunidades ver a situação”, afirmou um morador em vídeo divulgado nas redes sociais.
A cobrança se intensifica em um momento em que a Câmara Municipal mantém discurso de proximidade com a população, mas, na prática, é acusada de não acompanhar a realidade enfrentada nos bairros mais afetados pela precariedade dos serviços básicos.
Moradores questionam a ausência de ações concretas, como requerimentos públicos, audiências, fiscalizações in loco ou pressão direta sobre o Departamento de Água e Esgoto e a Secretaria responsável pela limpeza urbana.
“Será que tem água na casa dos vereadores? Será que eles sabem o que é ficar 20, 25 dias sem uma gota de água?”, questionou outro morador, refletindo a indignação coletiva.
A crítica também se estende ao período eleitoral. Para muitos, a presença política se intensifica apenas em época de campanha, enquanto, nos momentos de crise, a população se vê sozinha. “Daqui a pouco começam a bater na porta pedindo voto e prometendo mudança, mas a realidade é essa”, disse.
O cenário expõe um desgaste crescente da classe política local e levanta dúvidas sobre a efetividade do papel fiscalizador do Legislativo municipal, justamente em um momento em que Várzea Grande enfrenta problemas básicos que afetam diretamente a dignidade e a saúde da população.