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Cristiano escancara dívidas milionárias de Santos e Corinthians e diz que “o calote é legalizado” no Brasil » Esportes & Notícias

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, fez um relato contundente sobre a situação financeira do clube mato-grossense e revelou que a equipe tem valores milionários a receber de grandes clubes do futebol brasileiro. Em entrevista ao programa TMC, apresentado por Benjamin Back, o Benja, o dirigente citou especificamente Santos e Corinthians como devedores e manifestou preocupação com a possibilidade de clubes em dificuldades financeiras recorrerem à recuperação judicial para reorganizar seus passivos.

Segundo Dresch, o Santos deve aproximadamente R$ 18 milhões ao Cuiabá. O dirigente explicou que parte dessa dívida está relacionada à negociação do zagueiro Joaquim, contratado pelo Santos após passagem pelo Cuiabá e posteriormente vendido ao Tigres, do México. Na entrevista, Dresch afirmou que o Cuiabá havia investido cerca de € 750 mil na contratação do defensor e que a venda posterior ao clube mexicano girou em torno de US$ 8 milhões.

O presidente do Cuiabá explicou que o problema não está apenas no valor da negociação, mas na maneira como os créditos foram posteriormente administrados. De acordo com seu relato, o Santos recebeu os valores da venda de Joaquim ao Tigres e uma parte do crédito que o clube santista possuía com os mexicanos acabou sendo utilizada na operação envolvendo a transferência de Soteldo para o Fluminense. Na composição dessa operação, segundo Dresch, o Cuiabá teria recebido apenas 20% do valor que o Santos recebeu do Tigres referente à negociação de Joaquim.

“O Santos deve 18 milhões de reais. O Santos comprou o zagueiro do Cuiabá por 750 mil euros, ele pagou 2 milhões 750, ele vendeu esse jogador para o Tigres do México por 8 milhões de dólares, que é o Joaquim. Eles já receberam tudo. A última parte foi uma compensação com a venda do Soteldo para o Fluminense, que envolveu esse crédito que eles tinham com o Tigres referente ao Joaquim, e passaram para nós só 20% do valor que eles receberam do Tigres, e não receberam mais nada”, afirmou Cristiano Dresch durante a entrevista.

A reclamação do dirigente ganha dimensão maior porque, segundo ele, o Santos continua realizando investimentos no futebol mesmo mantendo uma dívida significativa com o Cuiabá. “O que causa indignação é que eles continuam gastando, mais do que gastavam antes”, declarou.

Na mesma entrevista, Dresch também foi questionado sobre a situação do Corinthians e afirmou que o clube paulista possui uma dívida atualmente estimada em R$ 17 milhões com o Cuiabá. “O Corinthians deve hoje, na casa, 17 milhões de reais, 17 milhões”, respondeu o presidente.

Somadas, as duas dívidas citadas pelo dirigente representam aproximadamente R$ 35 milhões em valores a receber pelo Cuiabá apenas de Santos e Corinthians, segundo os números apresentados na entrevista. Para um clube que precisa administrar receitas, despesas, folha salarial e investimentos no futebol, a demora no recebimento de valores provenientes de transferências pode representar um problema significativo de fluxo de caixa.

O ponto mais sensível da manifestação de Dresch, entretanto, está relacionado ao temor de que um clube devedor entre em recuperação judicial. O presidente do Cuiabá afirmou que existe preocupação com a possibilidade de o Santos recorrer a esse mecanismo e que experiências recentes envolvendo outros clubes brasileiros aumentaram a apreensão dos credores.

“Isso aí é uma coisa que causa muita preocupação para nós. A gente tem hoje essas recuperações judiciais. Eu tenho medo, por exemplo, do Santos entrar em recuperação judicial. É algo que nos preocupa, porque a FIFA, por exemplo, ela baixou uma série de recuperações de transferbantes, que o Vasco e o Botafogo sofreram, depois que entraram na recuperação judicial”, afirmou.

A preocupação apresentada por Dresch está relacionada ao efeito que uma recuperação judicial pode produzir sobre os créditos de outros clubes. Na prática, quando uma instituição entra em um processo dessa natureza, suas dívidas passam a ser submetidas às regras e condições estabelecidas no processo de recuperação. Para um clube que vendeu um jogador e tem parcelas a receber, isso pode significar uma mudança relevante na expectativa de recebimento.

É nesse contexto que o presidente do Cuiabá utilizou a expressão mais forte da entrevista ao definir sua percepção sobre o sistema: “É o calote legalizado.”

A declaração resume a insatisfação de Dresch com uma situação em que clubes de maior porte podem acumular dívidas relevantes com outras equipes e, ainda assim, continuar participando do mercado de transferências. Para os clubes que dependem das receitas de venda de jogadores, o problema não é apenas contábil. O atraso de uma parcela pode comprometer o planejamento financeiro, enquanto a necessidade de recorrer a medidas judiciais prolonga ainda mais o recebimento.

Em meio a esse cenário administrativo e financeiro, o time mato-grossense mantém o foco na competição nacional. O Dourado volta a campo no sábado (29), quando enfrenta o Botafogo-SP, na Arena NicNet, em partida marcada para 17h30 (de MT). A equipe ocupa atualmente a 12ª colocação da classificação da Série B, com 33 pontos.

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