O clima entre Cuiabá e Atlético-MG se agravou após um impasse envolvendo a transferência do atacante Deyverson. O caso, que inicialmente girava em torno de atrasos no pagamento da negociação do jogador, evoluiu para uma verdadeira batalha administrativa e jurídica que chegou até o Banco Central.
Em 2024, o Atlético adquiriu Deyverson por cerca de R$ 4 milhões, com pagamento parcelado. No entanto, o clube mineiro descumpriu os prazos acertados, e o Cuiabá levou o caso à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e, mais recentemente, ao Banco Central, denunciando o Banco Inter — ligado ao empresário Rafael Menin, um dos principais acionistas da SAF atleticana.
O episódio ganhou novos contornos quando Rafael Menin, em entrevista, reconheceu o erro do Atlético ao não cumprir os prazos estabelecidos, mas criticou duramente a postura do Cuiabá. Segundo ele, o clube mato-grossense optou por uma via mais combativa, em vez de dialogar. “Se a gente assina um contrato com data de pagamento e o pagamento não é feito, a gente está errado. Isso é indiscutível”, disse. Apesar disso, Menin considerou a denúncia ao Banco Central “inverídica” e afirmou que nenhuma notificação oficial havia sido recebida pelas empresas ligadas ao grupo atleticano.
O Cuiabá, no entanto, rebateu as declarações apresentando documentos oficiais. Em um deles consta que a que o Banco Inter foi notificado por meio do Canal da Reclamação do Banco Central. A resposta formal do banco, vinculada à suposta infração à Resolução CMN nº 4.970/2021, foi protocolada dentro do prazo estabelecido, no dia 2 de junho de 2025, às 18h30, encerrando o trâmite na plataforma oficial do órgão regulador.
A Resolução citada pelo Cuiabá trata da conduta de instituições financeiras com empresas que estão sob sua influência ou controle, o que levanta uma discussão delicada: até que ponto bancos que investem em SAFs podem ser responsabilizados por pendências financeiras dessas sociedades?
Rafael Menin ainda afirmou que o Atlético-MG tem outras pendências financeiras em aberto com clubes e jogadores, mas garantiu que a atual gestão está empenhada em resolver todas as dívidas. Disse também que costuma tratar esse tipo de situação de maneira mais discreta e executiva, buscando refinanciamento e negociação.
O desfecho do caso, agora nas mãos do Banco Central, pode determinar novas diretrizes sobre a responsabilidade de investidores financeiros em operações envolvendo SAFs. Enquanto isso, a tensão entre os clubes permanece alta, e a transferência de Deyverson segue como um impasse entre os clubes e que promete novos capítulos.