Em meio ao impasse sobre o futuro da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, um deputado estadual visivelmente incomodado com o vai-e-vem de promessas soltou o verbo ao comentar a postura do prefeito Abílio Brunini (PL) diante da situação: “Se eu fosse prefeito de Cuiabá, eu assumia a Santa Casa. Por que o prefeito não assume? Por que não tem coragem?”
A fala foi feita poucas horas antes de uma reunião com o governador Mauro Mendes (União), em que o deputado disse esperar “entender melhor” os rumos da situação. Segundo ele, a promessa inicial era de que o governador havia empenhado a palavra, garantindo que buscaria uma solução. Mas uma fala recente de Mendes à imprensa teria dado a entender o oposto: que o governo não manterá duas estruturas hospitalares abertas o que muitos interpretaram como uma possível sentença de morte para a Santa Casa.
“Vamos ver, vou ter uma reunião com o governador agora. Antes ele disse que estavam procurando uma solução. Agora, já parece que desistiram”, comentou o parlamentar, em tom crítico e desconfiado.
A crítica, no entanto, não se limitou ao Palácio Paiaguás. O deputado também mirou a Prefeitura de Cuiabá, liderada por Abílio Brunini, e cobrou responsabilidade compartilhada na manutenção da unidade filantrópica.
“O problema da saúde não é só do Estado. Envolve a União, os municípios. Mas parece que quando dá errado, todo mundo joga pro Estado e sai de fininho. A Prefeitura de Cuiabá também tem que fazer a sua parte.”
Para ele, há um jogo de empurra generalizado e uma politização do caos na saúde pública, enquanto a população segue sem atendimento digno.
Enquanto os deputados esperam que “tenha um preço” acertado para salvar o hospital, o governador dá sinais de que pode mesmo fechar as portas da Santa Casa, uma das mais antigas instituições de saúde do Estado. E Abílio? Ainda não se posicionou oficialmente sobre assumir a gestão da unidade o que pode ser visto como omissão, ou talvez uma recusa estratégica.
*Sob supervisão de Daniel Costa