O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) cobrou, nesta segunda-feira (10), uma definição do diretório municipal do partido em Várzea Grande quanto à sua posição diante da gestão da prefeita Flávia Moretti (PL). Para o parlamentar, é necessário que a sigla assuma claramente se fará parte da base governista ou se atuará como oposição.
“Já que o União Brasil perdeu a eleição junto com o MDB em Várzea Grande, não deveria integrar a administração. Sem discriminar: projeto bom para Várzea Grande tem que ser aprovado; projeto ruim, rejeitado”, declarou o ex-prefeito do município.
Apesar da derrota nas urnas e do histórico recente de confronto político com o grupo da prefeita, alguns vereadores do União Brasil têm demonstrado alinhamento com a atual gestão. Um exemplo é a vereadora Rosy Prado, que recentemente se envolveu em uma polêmica relacionada ao suposto “fura-fila” da saúde. Ela foi acusada de realizar um exame de endoscopia à frente de 227 pacientes e, em resposta, utilizou a tribuna da Câmara para defender a prefeita e negar a existência de filas na rede municipal.
Diante desse cenário, Júlio Campos afirmou que pretende se reunir com o presidente municipal do União Brasil, Juarez Toledo Pizza, para discutir o futuro da legenda em Várzea Grande. “Tem que haver uma reunião e uma autorização. Acho que o partido precisa ser chamado, ouvido, e isso precisa ser debatido. Se a maioria entender que deve apoiar a gestão, que assim seja”, afirmou.
Júlio também destacou que, apesar de o União Brasil ser oposição ao governo federal, ocupa três ministérios na gestão do presidente Lula (PT), o que tem provocado votações alinhadas com o Palácio do Planalto. Ele ressaltou que essa é uma realidade distinta da vivida em Mato Grosso.
“O governador Mauro Mendes é do União Brasil. A bancada tem perfil para lutar pela aprovação dos projetos dele na Assembleia. Agora, em Várzea Grande, o diretório precisa se reunir e tomar uma posição”, concluiu.
A cobrança do deputado tem como pano de fundo o cenário eleitoral recente. O União Brasil apoiou, em 2024, a candidatura do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) contra Flávia Moretti, e ainda ingressou, junto com o MDB, com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a chapa vencedora, por suspeitas de caixa dois e disseminação de fake news durante a campanha.