O Sete de Setembro não é apenas uma data no calendário nem um desfile de autoridades. É o símbolo da Independência e a lembrança de que nenhuma nação é verdadeiramente livre quando seus cidadãos temem o poder que deveria protegê-los.
Essa data evoca uma pergunta: que país queremos construir? Um Brasil no qual a Constituição limite governantes, juízes e instituições ou um país em que decisões excepcionais se tornem rotina? Independência também significa liberdade de expressão, devido processo legal, equilíbrio entre os Poderes e igualdade perante a lei.
Nos últimos anos, o Supremo acumulou questionamentos por decisões monocráticas, investigações prolongadas, censura de conteúdos e medidas que confundem as figuras de vítima, investigador e julgador. Agora, as revelações envolvendo integrantes da Corte, familiares de ministros e o Banco Master aprofundam uma crise de confiança que já não pode ser tratada como simples disputa política.
Em entrevista ao Livre, o ex-ministro Marco Aurélio Mello afirmou que o STF enfrenta a maior crise de seus 135 anos de história. Questionado se ainda confiava na Corte, respondeu com outra pergunta: “Você gostaria de ser julgado pelo Supremo?”, eu obviamente respondi que não…
O ex-ministro ainda disse ainda que o tribunal “está sangrando” e pode caminhar para um verdadeiro “suicídio” institucional se não prestar esclarecimentos à sociedade.
Enquanto isso Brasília ignora…
Enquanto isso, Lula, Edson Fachin, Davi Alcolumbre, Hugo Motta e outras autoridades apareceram juntos no desfile deste Sete de Setembro, na Esplanada dos Ministérios. Celebraram a democracia, a soberania e a união nacional, mas não ofereceram ao país respostas à altura da crise que atinge o mais alto tribunal brasileiro.
O Brasil que queremos não pertence a presidentes, ministros ou parlamentares. Pertence ao cidadão que trabalha, paga impostos e exige instituições submetidas às mesmas leis impostas ao restante da sociedade.
Neste Sete de Setembro, assim como todos os dias, O Livre reafirma sua escolha: nosso jornalismo tem lado — e esse lado é o da sociedade.