O prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro virou réu num processo sobre furar fila de vacinação contra a covid-19. O Tribunal de Justiça também aceitou a denúncia contra outras três pessoas próximas ao prefeito – Marco Polo de Freitas Pinheiro, irmão do prefeito, Antônio Monreal, ex-chefe de gabinete, e Gilmar de Souza Cardoso, ex-adjunto de Saúde. A decisão é dessa quinta-feira (19.12).
O Ministério Público denunciou os quatro pelos crimes de associação criminosa, uso indevido dos serviços públicos e 62 inserções de dados falsos no sistema do SUS (Sistema Único de Saúde). A vacinação contra a covid-19 ocorria por faixa etária e condições mórbidas, critérios de prioridade estabelecidos pelo Ministérios da Saúde.
O relatório do processo aponta que o prefeito Emanuel Pinheiro e os outros três réus teriam fraudado o esquema vacinação em benefício próprio e de outras pessoas, que não fariam parte dos grupos prioritários. O agendamento das datas de vacinação seria combinado diretamente entre os agentes públicos.
“Os diálogos reproduzidos pelo aplicativo WhatsApp demonstram que os interlocutores mais diversos enviavam nome, CPF, prints de carteira do SUS ou do cadastro de vacinação para o terminal telefônico de uso particular do prefeito, ou do irmão, ou do chefe de gabinete, solicitando o agendamento da vacinação”, disse o relator desembargador Orlando Perri.
O voto de Perri pela acusação dos investigados foi aprovado por todos os membros da Turma de Câmaras Criminais Reunidas. Outros membros são: Hélio Nishyama, Marcos Machado, Wesley Sanches, Jorge Luiz Tadeu e Rondon Bassil.
O LIVRE procurou a assessoria da prefeitura para comentar a decisão, mas não houve retorno. O espaço continua aberto.