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Enfermeira denuncia assédio em UPA e Coren entra no caso

O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) se manifestou oficialmente sobre a denúncia de assédio sexual envolvendo uma enfermeira de 39 anos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santa Clara, em Sorriso (MT), e informou que já acompanha o caso.

Enfermeira denunciou abuso feito por coordenador e Coren entrou no caso. – Foto: JK Notícias

Em nota, o Conselho afirmou que repudia qualquer forma de assédio, incluindo violência sexual e abuso de poder no ambiente de trabalho, especialmente quando direcionado a profissionais da enfermagem. A entidade também informou que já entrou em contato com a vítima, prestando acolhimento e orientação, e se colocou à disposição para acompanhar o caso dentro de sua esfera de atuação.

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A denúncia foi feita pela enfermeira Tânia Barbosa, que relatou à imprensa na última semana, ter sido vítima de assédio por parte do coordenador de enfermagem que atende a unidade. Segundo ela, os episódios teriam ocorrido ao longo de meses e culminaram na demissão após ela recusar investidas.

Segundo Tânia, ela foi demitida logo após buscar ajuda. A enfermeira afirma que foi chamada pela empresa terceirzada da qual era contratada e informada de que não fazia mais parte do quadro de funcionários, sem explicação detalhada.

“A empresa disse que só recebeu um ofício do coordenador pedindo meu desligamento”, relatou.

De acordo com Tânia, o assédio era recorrente. Ela afirma que o superior fazia insinuações e condicionava benefícios no trabalho, como a liberação de plantões, à aceitação de um relacionamento.

A situação, segundo a profissional, evoluiu para ameaças diretas. “Ele sempre falava que, se eu não ficasse com ele, iria pedir minha demissão”, relatou.

O episódio mais grave teria ocorrido na segunda-feira (30), quando, conforme a denúncia, o coordenador teria tocado o corpo da enfermeira durante o expediente. Na ocasião, ele teria reforçado a ameaça de desligamento caso ela não aceitasse a investida.

Mesmo diante da situação, Tânia afirma que continuou trabalhando, mas decidiu procurar ajuda diante do medo constante e da pressão psicológica.

Ela relata que o receio de não ser ouvida e de perder o emprego dificultou a denúncia inicial. “A gente fica com medo, com receio pelo fato de ser mulher e não ser ouvida”, disse.

A enfermeira também afirma que outras mulheres já teriam passado por situações semelhantes no ambiente de trabalho, mas não levaram os casos adiante. A decisão de denunciar veio após o agravamento do cenário. “Eu falei: não posso me calar. Tenho que ser referência para outras mulheres”, declarou.

O caso foi registrado na polícia, com pedido de medida protetiva, e deve ser investigado pelas autoridades.

O Coren-MT informou ainda que poderá instaurar procedimento ético-disciplinar caso sejam identificados indícios de infração ao Código de Ética da Enfermagem.

Confira nota na íntegra:

Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) manifestou seu repúdio afirmando que é contra qualquer forma de assédio, seja violência sexual ou abuso de poder no ambiente de trabalho, especialmente quando direcionado a profissionais da Enfermagem.

Diante de informações divulgadas publicamente sobre a denúncia de possível assédio sexual envolvendo relação hierárquica em unidade de saúde em Sorriso, o Coren-MT informa que já realizou contato com a profissional, prestando acolhimento e orientação, colocando-se à disposição para acompanhar o caso dentro dos limites de sua esfera de atuação.

No exercício de suas atribuições legais, o Conselho poderá instaurar procedimento ético-disciplinar, caso sejam identificados indícios de infração ao Código de Ética da Enfermagem.

O caso está em fase inicial e deverá ser apurado pelas instâncias competentes, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

Reforçamos que situações dessa natureza são graves e não podem ser naturalizadas. A violência contra a mulher, em suas diferentes formas, é uma realidade estrutural que também se manifesta no ambiente de trabalho, exigindo posicionamento firme das instituições e mecanismos efetivos de proteção.

Em uma categoria onde 85% são mulheres, os impactos do assédio e da violência de gênero atingem diretamente o exercício profissional, a saúde mental e a dignidade das trabalhadoras.

Para o presidente em exercício do Coren-MT, João Pedro Neto, “o ambiente de trabalho precisa ser seguro e respeitoso. O Conselho está atento, acompanhará esse caso e dará os encaminhamentos necessários dentro de sua competência.”

O Coren-MT reforça ainda a importância da denúncia a fim de interromper ciclos de violência e proteger outros profissionais. As denúncias podem ser registradas na Ouvidoria do Coren-MT, inclusive via WhatsApp: (65) 9 9623-2323. Em casos de violência contra a mulher, também está disponível o canal nacional Ligue 180.

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