As comissões parlamentares que investigam o caso envolvendo o Banco Master ainda não conseguiram localizar a influenciadora e empresária Martha Graeff, ex-companheira do banqueiro Daniel Vorcaro, convocada para prestar depoimento.
Tanto a CPI do Crime Organizado quanto a CPMI do INSS aprovaram a convocação de Graeff, que atualmente reside nos Estados Unidos. Apesar das tentativas de contato, ela não foi oficialmente notificada até o momento.
Na CPMI do INSS, o depoimento estava previsto para ocorrer na última segunda-feira (20). A oitiva seria uma das etapas finais do colegiado, que pretende encerrar os trabalhos até o dia 28 de março. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já indicou que o relatório final deve ser votado na quinta-feira (26).
Martha Graeff entrou no foco das investigações após o vazamento de mensagens trocadas com Vorcaro entre 2024 e 2025. Nos diálogos, o banqueiro faz menções a políticos, ministros e agentes do mercado financeiro, o que ampliou o interesse das CPIs sobre o conteúdo.
As conversas também levantaram suspeitas de tentativa de ocultação de patrimônio, com a possível utilização do nome da então companheira para registro de bens, como imóveis e fundos. A empresária nega qualquer irregularidade.
Natural do Rio Grande do Sul, Graeff tem 40 anos, é empresária, ex-modelo e influenciadora digital. Ela vive nos Estados Unidos há cerca de duas décadas e atualmente mora em Miami, na Flórida. No passado, foi casada com o ex-jogador da NBA Rony Seikaly, com quem tem uma filha, e também teve um relacionamento com o ex-governador Aécio Neves, em 2017.
O relacionamento com Vorcaro foi marcado por períodos à distância e chegou a evoluir para um noivado em 2024, durante evento na Itália. A relação terminou em 2025, pouco depois da primeira prisão do banqueiro, ocorrida em novembro, no contexto das investigações que culminaram na liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
Após a repercussão das mensagens, Graeff afirmou, por meio de assessoria, que o relacionamento já havia sido encerrado meses antes e reiterou que vive fora do país há mais de 20 anos.
Além da CPMI, a CPI do Crime Organizado também marcou o depoimento da empresária, previsto para quarta-feira (25). Mesmo com datas próximas, integrantes das comissões afirmam que não houve retorno da defesa nem contato direto com Graeff.
Com apoio da polícia legislativa do Senado, equipes técnicas chegaram a localizar possíveis e-mails e números de telefone ligados à influenciadora. As intimações foram enviadas, mas, até agora, sem confirmação de recebimento.
Pelas regras, a convocação obriga o comparecimento de testemunhas. No entanto, a defesa pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar converter a obrigação em facultativa, sob o argumento de que o convocado é, na prática, investigado — estratégia já utilizada anteriormente por Vorcaro.