A Justiça de Mato Grosso aceitou denúncia do Ministério Público Estadual (MPMT) e tornou réu o ex-investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves por tentativa de homicídio contra o investigador Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior. A decisão, assinada nessa terça-feira (26), aponta que a acusação preenche os requisitos legais para abertura da ação penal.
O novo processo é um desdobramento do julgamento em que Mário Wilson foi condenado pela morte do policial militar Thiago Ruiz, assassinado em abril de 2023, em Cuiabá. Durante o júri, o investigador Walfredo revelou pela primeira vez que também teria sido alvo dos disparos efetuados pelo então colega de corporação e afirmou que só não foi atingido porque conseguiu recuar durante a confusão.
Durante a sessão, como testemunha ocular do homicídio, o investigador da Polícia Civil Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior revelou informações até então não apresentadas na fase investigativa, afirmando que também foi alvo direto dos disparos efetuados pelo denunciado.
Walfredo relatou que, no momento dos fatos, escapou de ser atingido por pouco, afirmando que precisou recuar para não ser alvejado. Ele declarou que não havia informado anteriormente essa circunstância por receio, já que o acusado era seu colega de profissão.

Segundo o Ministério Público, o relato é “coerente e compatível” com as imagens de câmeras de segurança, com conduta motivada por razão fútil, uma vez que a reação violenta ocorreu porque a Walfredo tentou separar a briga.
Com isso, os promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins, Samuel Frungilo, Rodrigo Ribeiro Domingues e Élide Manzini de Campos pediram que a denúncia seja aceita pela Justiça, que o acusado seja chamado para responder ao processo e que o caso continue até o julgamento pelo Tribunal do Júri.
Ao final, é pedida indenização mínima pelos danos morais causados à vítima e à coletividade, sugerindo o valor de 30 salários mínimos, em razão da gravidade dos fatos e do abalo à ordem social.
Perda do cargo na Polícia Civil
A Justiça acolheu os embargos de declaração apresentados pelo MP e reconheceu a perda do cargo público do policial civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri em Cuiabá.
O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, contestou a sentença proferida em plenário. Ele apontou que o próprio réu afirmou, durante interrogatório, que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos, o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional.
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