As sucessivas faltas do filho de Verginia Locatelli à escola colocaram a Polícia Civil em alerta para uma possível saída da empresária de Mato Grosso. Investigada por suposta participação na produção e armazenamento de material de abuso sexual infantil, ela foi localizada e presa nessa quarta-feira (12) durante viagem a Guarapari (ES).
Verginia é esposa e sócia do empresário do ramo de combustíveis Fábio Serafim de Oliveira, que já havia sido preso em 15 de julho. Os dois são investigados em Sorriso (MT).
O Primeira Página tenta localizar a defesa dos investigados. Espaço segue aberto para manifestações.
A empresária não estava proibida de viajar. No entanto, a Justiça havia decretado a prisão preventiva dela no domingo (9), para garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal.
Conforme apuração do Primeira Página, as ausências do filho do casal na escola chamaram a atenção dos investigadores, que passaram a considerar a possibilidade de Verginia ter deixado Mato Grosso.
Posteriormente, a polícia identificou que ela estava em Guarapari, onde foi presa com apoio da Polícia Civil do Espírito Santo.
Celulares e pen drives entraram na investigação
Materiais encontrados em celulares e pen drives apreendidos na residência do casal durante a Operação Puer Defensus, realizada em 15 de julho, contribuíram para que os investigadores avançassem na apuração sobre a suposta participação da empresária.
Segundo informações obtidas pela reportagem, em alguns dos vídeos analisados pelos investigadores, Verginia apareceria tocando crianças sob a justificativa de trocar roupas, principalmente biquínis.
O material apreendido passou por análise durante a investigação e ajudou a polícia a concluir o inquérito que resultou no indiciamento da empresária.

Caso começou após prisão de babá
A investigação que chegou ao casal avançou após a prisão da babá Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, em 29 de junho.
Em depoimento, ela afirmou que havia trabalhado anteriormente na residência de Verginia e Fábio e alegou ter sido aliciada pelo casal quando ainda era menor de idade. Segundo a investigação, Tafnes também produziu e enviou ao casal conteúdos de abuso sexual infantil.

Após tomarem conhecimento da prisão da jovem, segundo a apuração, Verginia e Fábio teriam apagado arquivos de aparelhos eletrônicos antes do cumprimento dos mandados da Operação Puer Defensus.
A investigação identificou ainda que Fábio teria feito pesquisas no ChatGPT sobre como formatar um iPhone e outras formas de apagar materiais. Mesmo com a exclusão de arquivos, conteúdos que permaneceram nos dispositivos apreendidos contribuíram para a continuidade das investigações.
Empresária foi indiciada
Um dos inquéritos relacionados ao caso foi concluído na sexta-feira (7). Verginia Locatelli foi indiciada por crimes relacionados à produção, transmissão, disponibilização e posse ou armazenamento de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.
A delegada Layssa Crisostomo representou à Justiça pela prisão preventiva da empresária. O pedido foi deferido no domingo (9).
Após a expedição do mandado, investigadores da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis de Sorriso acompanharam os deslocamentos da investigada e descobriram que ela estava em Guarapari, em uma viagem a passeio. Com apoio da Polícia Civil do Espírito Santo, Verginia foi localizada e presa nessa quarta-feira (12).
Fábio Serafim, marido da empresária, permanece investigado pelos crimes relacionados ao material de abuso sexual infantil e também por estupro de vulnerável.
Ele permanece preso desde o dia 15 de julho e Tafnes Cavalheiro de Souza também está presa desde 29 de junho. Ela foi recentemente transferida para a Cadeia Pública de Colíder após a defesa da jovem buscar a Justiça para a transferência dela, que estava detida em delegacia de polícia há quase um mês.