As sete pessoas que morreram no acidente entre um semirreboque e um carro na noite de sexta-feira (14), na MS-180, eram de uma mesma família de indígenas da etnia Guarani, moravam em São Paulo e estavam em Mato Grosso do Sul para um intercâmbio cultural e religioso entre aldeias da região.
A colisão envolveu um Chevrolet Spin alugado e o semirreboque de uma carreta carregada com milho, no limite entre os municípios de Iguatemi e Japorã. Com o impacto violento, o carro de passeio foi tomado pelas chamas e todos os ocupantes morreram carbonizados.
Segundo o relato de uma testemunha que presenciou a colisão, o semirreboque teria se desprendido do conjunto do caminhão e atingido o Chevrolet Spin frontalmente.
Após o impacto, o caminhoneiro fugiu do local no cavalo mecânico do veículo, em sentido ao município de Japorã, sem prestar socorro.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 20h56 para conter o incêndio do veículo.
Alertados sobre a tragédia, lideranças indígenas da região e familiares auxiliaram a Polícia Civil e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no trabalho de identificação das vítimas. O grupo havia visitado a Aldeia Porto Lindo, em Japorã, e seguia em direção à Aldeia Cerrito, no município de Eldorado.
Investigação e perícia
A equipe da Polícia Científica realizou os exames periciais no local do acidente. Os corpos foram removidos pela Funerária São José e encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) de Dourados e de Campo Grande para os exames oficiais de identificação e liberação à família.
A Polícia Civil de Iguatemi instaurou inquérito para apurar as circunstâncias e a dinâmica da colisão, a causa do desprendimento do semirreboque e a omissão de socorro por parte do motorista da carreta, que até o momento, não se apresentou a polícia.
Liderança
Após a confirmação do acidente, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou nota e lamentou a “trágico e precoce” morte dos sete indígenas.
Na publicação, o MPF destacou a importância de Tiago para a comunidade indígena de São Paulo.
“Tiago era uma das mais importantes lideranças indígenas do estado. Sempre demonstrando coragem e habilidade para negociação, ele integrou diversas iniciativas em prol das comunidades, como a criação do Comitê Interaldeias, e foi um altivo representante de seu povo junto ao MPF na defesa dos direitos Guarani”.

Confira a nota na íntegra:
O Ministério Público Federal (MPF) manifesta seu mais profundo pesar e imensa consternação pelo trágico e precoce falecimento de sete indígenas da etnia Guarani, vítimas de um grave acidente automobilístico no Mato Grosso do Sul. O acidente ocorreu na noite desta sexta-feira (14) em uma rodovia estadual nas imediações da Terra Indígena Yvy Katu, próximo aos municípios de Iguatemi e Japorã.
Entre as vítimas está o jovem líder Tiago Honorio dos Santos (Tiago Karai), de 34 anos, da aldeia Kalipety, localizada na Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros, São Paulo (SP). Tiago era uma das mais importantes lideranças indígenas do estado. Sempre demonstrando coragem e habilidade para negociação, ele integrou diversas iniciativas em prol das comunidades, como a criação do Comitê Interaldeias, e foi um altivo representante de seu povo junto ao MPF na defesa dos direitos Guarani.
Com igual dor, o MPF lamenta a partida de Laudiceia Benites (31 anos) – esposa de Tiago e também relevante liderança –, dos filhos Luna Benites Santos (7 anos) e Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos (14 anos), de Cleonice Honorio dos Santos (42 anos) – irmã de Tiago –, além de Ileo Benites (30 anos) e Genilson Euzébio Karay Mirim (32 anos). Todos eram moradores da aldeia Kalipety.
Neste momento de luto e consternação, o MPF presta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos das vítimas, aos povos das Terras Indígenas Tenondé Porã e Yvy Katu e a todo o povo Guarani.