Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, chamou atenção nas redes sociais após defender, em sabatina da TV Globo, a criação de uma estrutura de governo voltada à inteligência artificial e sugerir até o uso de drones para combater a violência contra a mulher.
As propostas ganham um contraste particular quando comparadas ao discurso do próprio candidato em um livro publicado antes da campanha: na obra, o psiquiatra alerta para os efeitos do uso excessivo de tecnologia, redes sociais e conteúdos digitais sobre a mente humana.
Em Intoxicação Digital: Como Enfrentar o Mal do Milênio, lançado em 2023, Cury não rejeita a tecnologia, mas chama atenção para os riscos de seu uso excessivo e contínuo. Segundo ele, o consumo desenfreado de conteúdo digital pode provocar uma sobrecarga mental e contribuir para o que chama de “intoxicação digital”.

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Augusto Cury é pré-candidato à Presidência da República
Frank May/picture alliance via Getty Images
A discussão aparece de forma mais direta no capítulo “Pobre inteligência artificial comparada à sofisticada mente humana”. Nele, Cury estabelece uma distinção entre a capacidade da inteligência artificial e a experiência humana e afirma que máquinas não seriam capazes de vivenciar sentimentos como solidão, ansiedade e autocobrança.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles Entretenimento
O autor também faz um alerta específico aos influenciadores digitais:
“Um recado particular aos jovens e em destaque aos influenciadores. Você pode ser um influenciador nas mais diversas redes sociais, mas deve saber que a intoxicação digital está espreitando para aprisioná-lo.”
Falas de Cury em sabatina da Globo
É nesse contexto que as declarações feitas por Cury durante a sabatina da TV Globo chamam atenção. Enquanto o livro enfatiza os riscos da exposição excessiva ao ambiente digital, o candidato apresentou a inteligência artificial e as redes sociais como ferramentas que poderiam ser incorporadas à administração pública e à atuação do governo.
Entre as propostas que viralizaram estão a criação de um ministério ou secretaria dedicada à IA, a substituição de funcionários públicos por tecnologia e o uso de drones para auxiliar no combate à violência contra a mulher.
Ao falar sobre violência doméstica, Cury sugeriu um sistema de alerta que acionaria automaticamente uma delegacia e permitiria o deslocamento de um drone até a residência de um possível agressor.
“Uma mulher se sente ameaçada, violentada, ela toca o dedo no botão de alerta e gera um referenciado na delegacia mais próxima para que o agente de segurança possa socorrê-la”, explicou ele. “Já pensou se nós usarmos tecnologia que é usada em outros países, que você vai com um drone, com sinal de alerta, até a casa do predador?”, completou.
Ao ser questionado sobre corte de gastos, Cury defendeu a redução do número de ministérios, mas também propôs a criação de uma nova estrutura dedicada à inteligência artificial e à robótica.
“O mundo vai virar de cabeça para baixo em quatro ou cinco anos. Ou vamos ter uma secretaria executiva de robótica e inteligência artificial para neutralizar a perda do bônus democrático. Menos gente está nascendo, trabalhando e muita gente está aposentando. Se não tivermos uma secretaria executiva, o Brasil vai ser atropelado”, afirmou o candidato.
Cury também afirmou que pretende levar influenciadores digitais para atuar em embaixadas brasileiras em diferentes países, com o objetivo de, segundo ele, “melhorar a imagem do Brasil lá fora”.