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Mães denunciam maus-tratos em creche em Nova Xavantina

Um grupo de mães denunciou possíveis maus-tratos contra crianças atendidas em um espaço particular de cuidados infantis em Nova Xavantina (MT). As denúncias ganharam repercussão após as mulheres se unirem e criarem nas redes sociais o perfil “Mães Unidas 2026”, onde publicaram, neste domingo (8), uma nota de repúdio cobrando investigação, transparência e posicionamento das autoridades.

Mães denunciam maus-tratos em espaço infantil de Nova Xavantina. Polícia Civil investiga e aponta indícios de tortura. – Foto: Reprodução/ Instagram

No documento, as mães afirmam estar indignadas com relatos envolvendo o local onde os filhos eram deixados diariamente e dizem que confiaram as crianças a um ambiente que deveria garantir cuidado, proteção e acolhimento. Elas também defendem que os fatos sejam apurados com seriedade e responsabilidade para que a verdade seja esclarecida.

Mães denunciam maus-tratos em espaço infantil de Nova Xavantina. Polícia Civil investiga e aponta indícios de tortura. - Foto: Reprodução/Instagram
Mães denunciam maus-tratos em espaço infantil de Nova Xavantina. Polícia Civil investiga e aponta indícios de tortura. – Foto: Reprodução/Instagram

O grupo ainda criticou a postura de pessoas públicas que, segundo as mães, estariam defendendo ou minimizando a gravidade das denúncias. Elas afirmam que esperavam maior solidariedade e posicionamento das autoridades e instituições do município diante da situação.

A nota é assinada por sete mães: Andressa, Sara, Emanuelle, Lígia Masson, Andréia, Letícia e Rayanne. No texto, elas afirmam que a mobilização não tem motivação pessoal, mas busca a defesa dos direitos das crianças e a responsabilização de eventuais envolvidos.

Relatos das famílias

Uma das mães que denunciaram o caso publicou um vídeo de cerca de oito minutos nas redes sociais relatando situações que, segundo ela, teriam ocorrido com os filhos durante o período em que frequentaram o espaço infantil. Na gravação, a mulher afirma que decidiu se manifestar após receber questionamentos de outras pessoas sobre o motivo de não ter falado antes sobre o assunto.

No início do vídeo, ela relata que o filho começou a frequentar o local ainda bebê e que, desde os primeiros meses, demonstrava resistência quando era levado para o espaço. “A primeira vez que meus filhos foram para lá, o Emanuel tinha oito meses. Ele odiava ir e chorava muito”, contou durante o vídeo.

A mãe afirma que, naquele momento, acreditava que o comportamento poderia ser apenas dificuldade de adaptação. Com o passar do tempo, porém, ela diz que passou a desconfiar da situação após perceber mudanças no comportamento da criança e episódios que, segundo ela, levantaram preocupação sobre o atendimento no local.

De acordo com o relato, ao buscar o filho no fim do dia, o menino frequentemente demonstrava sinais de fome e cansaço. Ela também afirma que a criança apresentou irritações recorrentes na pele e problemas de saúde durante o período em que frequentou o espaço.

Em outro momento da gravação, a mulher relata que a filha mais velha teria contado situações que, segundo ela, teriam ocorrido dentro do espaço infantil. De acordo com o depoimento, as crianças teriam sido ameaçadas para não contar aos pais o que acontecia no local. “Ela disse que ameaçavam colocar no ‘quartinho escuro’ se contasse alguma coisa”, afirmou.

Ainda no vídeo, a mãe menciona episódios que, segundo ela, levantaram suspeitas sobre a rotina de cuidados no espaço, como dificuldades relacionadas à alimentação da criança e relatos de possíveis punições dentro do ambiente.

Investigação em andamento

Segundo o delegado Flávio Leonardo Santana Silva, responsável pelo caso, a investigação está sendo conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, após tomar conhecimento das denúncias envolvendo o espaço infantil. O delegado se pronunciou em vídeo, divulgado nas redes sociais neste domingo (8).

De acordo com a Flávio, as buscas já foram realizadas no local indicado nas denúncias. Nas verificações iniciais, foram identificados indícios de que o estabelecimento estaria funcionando em desacordo com a autorização concedida.

A partir das buscas, da documentação reunida e dos depoimentos já colhidos, a investigação identificou elementos que apontam, em tese, para a prática do crime de maus-tratos e possível tortura, além de outras infrações penais que seguem sob apuração.

Segundo o delegado, diversas mães e responsáveis já foram ouvidos durante o andamento do inquérito. Os relatos apresentados apresentam pontos convergentes e são considerados compatíveis com os demais elementos informativos reunidos até o momento, o que levou ao aprofundamento das investigações.

Flávio informou que, paralelamente à investigação criminal, uma decisão do Poder Judiciário determinou a suspensão das atividades do espaço infantil após medidas solicitadas pelo Ministério Público em uma ação civil pública.

O delegado também informou que novas buscas continuam sendo realizadas e que o caso é tratado com prioridade, com o objetivo de esclarecer completamente os fatos, garantir a proteção das crianças e responsabilizar eventuais envolvidos conforme o resultado das investigações.

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