A médica Sabrina Mello, alvo da Operação Inimigo Íntimo, deflagrada pela Polícia Civil na última terça-feira (15), se manifestou por meio das redes sociais e negou qualquer envolvimento no assassinato de Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, apontado como seu amante, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá.
Na nota divulgada, Sabrina também negou ter apagado arquivos, fotos ou conversas do celular da vítima enquanto ele recebia atendimento no Hospital Municipal.
Ela afirma estar sendo alvo de ataques nas redes sociais e faz um apelo para que as pessoas evitem julgamentos precipitados, aguardando o fim das investigações. A médica alega que sua vida pessoal está sendo confundida com o crime, já que mantinha um relacionamento extraconjugal com Ivan, e seu marido, Gabriel Tacca, é apontado como o mandante do homicídio.
“A maioria das pessoas está escolhendo lados — e escolheram o lado errado. Essas pessoas não condenam o assassino confesso, mas fazem alvoroço ao devassar minha vida privada. Falam mais de mim do que do próprio assassino”, escreveu ela em um trecho do comunicado.

Sabrina foi alvo de mandado de busca e apreensão e é investigada por suposta fraude processual. A suspeita é de que ela tenha acessado o celular da vítima durante a internação, com a intenção de apagar provas do caso e, possivelmente, proteger o marido. Ela, no entanto, nega qualquer irregularidade.
“Não estou presa. Fui interrogada e, em seguida, liberada. Sou investigada por uma suposta fraude processual, mas esse processo respeitará o direito ao contraditório e à ampla defesa. Antecipar julgamentos é algo perigoso”, afirmou.
Por fim, a médica pediu que o público aguarde o desfecho da investigação e reforçou que provará sua inocência.

“Humildemente, peço que as pessoas aguardem o resultado das investigações, sem emitir juízos negativos antecipados. Não há qualquer relação entre o homicídio ocorrido e minha vida pessoal. Apontar o dedo antes do tempo não é neutralidade — é cumplicidade”, concluiu.
O caso
Segundo a investigação da Delegacia de Sorriso, o crime teria sido planejado pelo casal após Gabriel descobrir o envolvimento amoroso entre a esposa e a vítima, que era amigo íntimo dos dois e frequentava a casa da família durante suas visitas à cidade.

Inicialmente tratado como uma briga de bar, o caso ganhou novos contornos após a análise de imagens de câmeras de segurança e inconsistências nos depoimentos prestados. As imagens revelaram que Ivan foi atraído até uma distribuidora com o pretexto de um encontro amistoso, mas acabou surpreendido e esfaqueado pelas costas por um executor contratado — em uma emboscada organizada por alguém em quem confiava.
Além do homicídio, Sabrina também é investigada por supostamente usar sua posição como médica para acessar o hospital logo após a chegada da vítima. Apresentando-se como amiga, ela teria pegado o celular de Ivan e apagado conteúdos comprometedores, como mensagens, imagens e um vídeo que poderia ligar diretamente os suspeitos ao crime. O aparelho só foi entregue à família três dias depois, já com os dados adulterados.
Operação Inimigo Íntimo
A Operação Inimigo Íntimo foi deflagrada pela Polícia Civil na terça-feira (15) para aprofundar as investigações sobre o homicídio de Ivan, ocorrido em março deste ano. A operação cumpriu cinco mandados judiciais contra três suspeitos.
Gabriel Tacca e Danilo Guimarães, apontados como mandante e executor do crime, foram presos temporariamente e também foram alvos de buscas. Já Sabrina Mello teve apenas mandado de busca e apreensão cumprido.